A Petrobras reportou um aumento de 14% em sua produção total de petróleo e gás no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o Santander Brasil registrou queda de 17,6% no lucro líquido recorrente, segundo balanços financeiros divulgados nesta quinta-feira (29). Os resultados refletem cenários distintos para as duas empresas, com a petroleira beneficiada pelo aumento da produção em campos maduros e o banco pressionado por maiores provisões para devedores duvidosos.
Produção da Petrobras atinge recorde do trimestre
A produção da Petrobras somou 2,89 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) no segundo trimestre, ante 2,54 milhões boe/d no mesmo período de 2025. O crescimento de 14% foi impulsionado principalmente pelo ramp-up da plataforma P-78, no campo de Búzios, e pela conclusão de paradas programadas em refinarias, que liberaram capacidade de processamento. A companhia também destacou a eficiência operacional, com fator de utilização das refinarias em 93%.
De acordo com a Petrobras, o resultado superou as expectativas do mercado. “Atingimos o maior volume de produção para um segundo trimestre desde 2015”, afirmou o diretor de Exploração e Produção, João Silva, em teleconferência com analistas. A empresa manteve a meta de produção anual de 2,9 milhões boe/d.
Santander Brasil enfrenta alta de inadimplência
O Santander Brasil reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,42 bilhões no segundo trimestre, queda de 17,6% ante os R$ 4,15 bilhões do mesmo período de 2025. O resultado foi impactado pelo aumento de 28% nas provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD), que somaram R$ 6,8 bilhões. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,8%, contra 3,2% um ano antes.
O presidente do Santander Brasil, Mario Leão, atribuiu a piora ao cenário macroeconômico adverso. “Estamos vendo uma deterioração na qualidade do crédito para pessoas físicas e pequenas empresas, com aumento da taxa de juros afetando a capacidade de pagamento”, disse Leão. Apesar disso, o banco manteve a projeção de crescimento da carteira de crédito entre 6% e 9% para o ano.
Impacto nos mercados e perspectivas
As ações da Petrobras subiram 1,8% no pregão desta quinta-feira, enquanto os papéis do Santander recuaram 2,3%. Analistas veem cenários mistos para o segundo semestre. Para a Petrobras, a expectativa é de manutenção dos altos volumes, com a entrada de novos poços. Já o Santander pode continuar sob pressão se a inadimplência não ceder. “O pico da inadimplência pode estar próximo, mas ainda não vimos sinais claros de melhora”, avaliou o analista do Credit Suisse, Pedro Albuquerque.



