A Oncoclínicas, uma das maiores redes de tratamento oncológico do Brasil, anunciou a venda de sua participação de 27,4% na Oncoclínicas Arabia Saudi para a Al Faisaliah Medical Systems (FMS), empresa local de saúde. A transação, avaliada em US$ 27 milhões, foi divulgada nesta segunda-feira (3) e faz parte da estratégia da companhia de focar em seus mercados principais e reduzir sua alavancagem financeira.
Detalhes do negócio
De acordo com o fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a venda envolve a totalidade da participação da Oncoclínicas na joint venture saudita, que era composta por 27,4% do capital social. A FMS, que já era sócia da Oncoclínicas no empreendimento, passa a deter 100% da operação. O valor da transação será pago em dinheiro, e a conclusão está sujeita a condições precedentes usuais, incluindo aprovações regulatórias.
Em comunicado, a Oncoclínicas afirmou que o valor total recebido será de aproximadamente US$ 27 milhões, o que representa um múltiplo de cerca de 1,4 vezes o valor contábil do investimento. A empresa destacou que o negócio não deve gerar impacto material em seus resultados, mas contribuirá para a redução da dívida líquida.
Estratégia de desinvestimento
A venda da participação na Arábia Saudita está alinhada à estratégia da Oncoclínicas de concentrar seus recursos no Brasil e na América Latina, onde possui operações maiores e maior potencial de crescimento. No ano passado, a companhia já havia vendido sua operação no México para a Rede D'Or, em um negócio de R$ 2,5 bilhões. Agora, com a saída do Oriente Médio, a empresa busca simplificar sua estrutura e melhorar sua posição de caixa.
Segundo o analista de saúde da XP Investimentos, Rafael Barros, a medida é positiva, pois reduz a exposição a mercados não estratégicos e fortalece o balanço. "A Oncoclínicas está tomando decisões pragmáticas para reduzir sua alavancagem, o que é bem visto pelo mercado em um momento de juros altos", comentou.
Impacto financeiro
A Oncoclínicas encerrou o primeiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 4,8 bilhões, o que representa 3,2 vezes o Ebitda dos últimos doze meses. A empresa tem como meta reduzir esse indicador para menos de 2,5 vezes até o final de 2026. Com a venda, a companhia espera receber aproximadamente R$ 145 milhões (considerando o câmbio atual), que serão utilizados para abater parte do endividamento.
Em nota, a diretoria da Oncoclínicas afirmou que "a operação reforça o compromisso da companhia com a disciplina financeira e a geração de valor para os acionistas". A empresa também informou que manterá um contrato de cooperação técnica com a FMS para garantir a continuidade do atendimento aos pacientes sauditas, embora sem participação acionária.
Reação do mercado
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) fecharam em alta de 2,3% nesta segunda-feira, a R$ 8,90, reagindo positivamente ao anúncio. No ano, os papéis acumulam queda de 12%, mas analistas veem espaço para recuperação. O banco UBS, em relatório, classificou a venda como "moderadamente positiva", destacando que o valor está em linha com as expectativas.
Especialistas apontam que a Oncoclínicas ainda pode realizar outros desinvestimentos para focar em seu núcleo. A empresa possui participações em outros países, como Colômbia e Peru, mas não há indicação de novas vendas no curto prazo. A administração, no entanto, não descarta "avaliar oportunidades estratégicas" conforme o mercado evoluir.
Histórico da parceria
A Oncoclínicas entrou na Arábia Saudita em 2021, em parceria com a FMS, com o objetivo de levar sua expertise em tratamento oncológico para a região. A joint venture operava uma rede de clínicas em Riade e Jidá, atendendo cerca de 10 mil pacientes por ano. Apesar do crescimento da demanda, a operação nunca atingiu a escala necessária para se tornar lucrativa, o que justificou a saída.
Com a venda, a Oncoclínicas encerra sua presença no Oriente Médio, mas a empresa deixa claro que a decisão foi tomada de forma amigável e que a FMS continuará usando o nome e o protocolo da Oncoclínicas por um período de transição de 12 meses.
A conclusão da transação é esperada para o quarto trimestre de 2026, após o cumprimento das condições regulatórias. A Oncoclínicas informou que os recursos serão contabilizados como redução da dívida no balanço do quarto trimestre.



