Move Brasil: crédito para motos flex e elétricas exige preparo financeiro
Move Brasil: crédito para motos flex e elétricas

A partir desta semana, entregadores e mototaxistas cadastrados no programa Move Brasil Entregadores e Motoapp podem solicitar financiamento para motocicletas e bicicletas, elétricas ou não, em instituições financeiras parceiras. A linha de crédito, operada pela Caixa Econômica Federal, conta com juros subsidiados pelo governo via Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

Condições do programa

A previsão do governo é financiar 100 mil motos, motonetas ou ciclomotores. Os veículos elegíveis devem atender aos seguintes critérios: motor de até 160 cilindradas ou até 7.500 watts para modelos elétricos; bicicletas elétricas de até 1.000 watts; ser do tipo flex (modelos apenas a gasolina ou híbridos não são aceitos); ser zero km (usados não entram); e fabricados no Brasil ou com projeto de produção nacional em andamento.

Desafios e preparação para o crédito

Apesar das condições facilitadas, os candidatos precisam passar pelo crivo dos bancos, que avaliam individualmente o risco de crédito. Para aumentar as chances de aprovação, o g1 consultou especialistas em planejamento financeiro.

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1. Comprove capacidade de pagamento

Segundo Henrique Soares, planejador financeiro pela Planejar, manter as contas em dia, evitar atrasos e reduzir o endividamento são fundamentais. “Ajuda a dar uma entrada maior para o veículo, porque isso reduz o valor financiado e, consequentemente, o risco para a instituição financeira”, detalha. Antes de solicitar o crédito, é essencial verificar pendências cadastrais e a situação do CPF nos órgãos de proteção ao crédito, como Serasa.

2. Cuide do score de crédito

O score é um dos principais indicadores de risco de inadimplência. Quanto melhor o histórico de pagamentos, maiores as chances de aprovação e melhores as condições de taxas.

3. Atenção ao comprometimento da renda

O banco analisa se a parcela cabe no orçamento sem comprometer a subsistência. Soares reforça: “Mais importante do que saber o teto máximo financiável é entender qual parcela pode ser paga de forma sustentável no longo prazo.”

4. Organize os comprovantes

Trabalhadores autônomos podem reunir: Declaração do Imposto de Renda, extratos bancários, histórico de movimentação da conta corrente, e relatórios de recebimentos das plataformas de aplicativo.

5. Use o relacionamento com o banco

Ter conta em uma instituição facilita a análise, pois o banco já conhece o histórico financeiro do cliente. Isso contribui para uma avaliação mais precisa.

6. Evite erros comuns

Principais motivos de reprovação: renda incompatível, excesso de endividamento, histórico de atrasos, documentação inadequada. Outro erro é escolher parcelas no limite do orçamento. “O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga, incluindo custos como combustível, seguro e manutenção”, diz Soares.

7. Prepare-se para o 'sim'

A preparação ideal começa antes do pedido: organize documentos, reduza dívidas, regularize o CPF e construa uma reserva financeira. Soares aconselha: “Acompanhe a própria renda ao longo dos meses para entender qual parcela cabe no orçamento.”

Juros menores e custo total

Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, destaca: “A taxa do programa, entre 11,5% e 12,5% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física.” Ele recomenda dar a maior entrada possível: “O juro, ainda que menor, é composto e incide sobre todo o saldo devedor.”

O consumidor tem direito a todas as informações claras, incluindo o Custo Efetivo Total (CET), que abrange juros, tarifas e impostos. Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados, afirma: “Omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato é prática vedada por lei.”

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