Meta ajusta previsão de gastos e ações caem 8% no after market
Meta ajusta previsão de gastos; ações caem 8%

A Meta, controladora do Instagram e Facebook, anunciou nesta quarta-feira um estreitamento na faixa de sua previsão de despesas de capital para 2026, ao mesmo tempo que revelou resultados trimestrais que ficaram abaixo das expectativas dos analistas. A gigante das redes sociais intensifica seus investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA), com a construção de uma frota de centros de dados para expandir seu poder computacional.

Resultados do segundo trimestre de 2026

No segundo trimestre de 2026, a Meta registrou lucro por ação (LPA) de US$ 6,18 sobre uma receita de US$ 60,8 bilhões. As estimativas de consenso da Bloomberg apontavam para um LPA de US$ 7,14 e receita de US$ 60,2 bilhões. A receita superou as projeções, mas o lucro por ação ficou aquém, resultando em uma queda de aproximadamente 8% nas ações da empresa no after market.

Revisão das previsões de despesas

A empresa agora espera que as despesas de capital em 2026 estejam entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões, em comparação com a faixa anterior de US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões. O limite inferior foi elevado para incorporar encargos de US$ 2,4 bilhões relacionados a processos judiciais reconhecidos no segundo trimestre. Quanto às despesas totais do ano, a projeção passou de US$ 162 bilhões a US$ 169 bilhões para US$ 165 bilhões a US$ 169 bilhões.

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Negócio de publicidade e concorrência

O centro dos negócios da Meta continua sendo a publicidade digital. O Reels disputa espaço com o TikTok e o YouTube Shorts no mercado de vídeos curtos, enquanto o Threads enfrenta o X, de Elon Musk. A IA tem papel crucial ao possibilitar sistemas de segmentação de anúncios e recomendações mais precisos, aumentando o engajamento dos usuários. De acordo com a consultoria de tendências Madison and Wall, a receita publicitária global deve crescer 8,3% em 2026, atingindo US$ 1,42 trilhão, impulsionada por eventos esportivos como os Jogos Olímpicos de Inverno e a Copa do Mundo da FIFA. A publicidade em redes sociais, especificamente, deve avançar 14%, chegando a US$ 421 bilhões.

Estratégia de IA e superinteligência

O presidente-executivo Mark Zuckerberg busca a superinteligência — um conceito hipotético em que a IA supera a inteligência humana em todas as áreas — e aposta no assistente Meta AI e nos óculos inteligentes com IA. Os gastos crescentes com IA pressionam até empresas lucrativas como a Alphabet, que recentemente registrou sua primeira queima de caixa no segundo trimestre, abalando investidores.

Investimentos maciços em infraestrutura

Espera-se que os gastos das grandes empresas de tecnologia ultrapassem US$ 700 bilhões em 2026, principalmente em IA, enquanto o Morgan Stanley estima que o valor supere US$ 1 trilhão no próximo ano. A Meta está construindo vários data centers na escala de gigawatts nos Estados Unidos, incluindo um na zona rural da Louisiana, com capacidade computacional projetada para 5 GW e investimento superior a US$ 50 bilhões. Em julho, a empresa formou uma joint venture para seu data center em El Paso, Texas, com 80% de participação da BlackRock e 20% da Meta, semelhante ao acordo com a Blue Owl Capital para o projeto na Louisiana, visando manter a dívida fora do balanço.

Além disso, reportagens indicam que a Meta negocia alugar capacidade computacional à Anthropic em um possível acordo de até US$ 10 bilhões ao longo de dois anos.

Riscos legais e regulatórios

Enquanto investidores analisam os gastos com IA, a Meta enfrenta riscos relacionados à privacidade e ao uso de seus óculos inteligentes. Em documento judicial apresentado em julho, a empresa informou que quatro estados buscam US$ 1,4 trilhão em multas por acusações de que projetou suas plataformas para viciar jovens e enganou o público sobre segurança. Em abril, a Meta já havia alertado que reações legais e regulatórias na União Europeia e nos EUA sobre questões envolvendo jovens nas redes sociais “poderiam impactar significativamente” seus negócios e resultados financeiros.

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