Megafusão da United Airlines não decola, mas CEO mantém otimismo
Megafusão da United Airlines não decola, mas CEO otimista

A megafusão entre a United Airlines e a US Airways, anunciada em 2019 e concluída em 2020, ainda não gerou os resultados esperados. A integração das operações, que incluiu a unificação de sistemas de reservas e a harmonização de frotas, enfrentou atrasos e custos adicionais. No entanto, o CEO Oscar Munoz afirma que a empresa está em uma trajetória ascendente e que os benefícios da fusão começarão a aparecer a partir de 2026.

Desafios da integração

O processo de fusão, que criou a maior companhia aérea do mundo em número de passageiros, esbarrou em dificuldades técnicas e operacionais. A integração dos sistemas de TI, que deveria levar 18 meses, levou mais de três anos. Além disso, a pandemia de Covid-19 atrasou ainda mais o cronograma. Segundo analistas, a United Airlines gastou US$ 1,2 bilhão em custos de integração, acima do orçamento inicial de US$ 800 milhões.

"Tivemos que resolver problemas complexos, desde a compatibilidade de softwares até a reciclagem de pilotos e comissários. Mas estamos confiantes de que a base agora está sólida", afirmou Munoz em entrevista ao Valor.

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Resultados financeiros aquém do esperado

No balanço do segundo trimestre de 2026, a United Airlines reportou receita de US$ 15,4 bilhões, um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas abaixo das projeções de US$ 16 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 1,1 bilhão, ainda distante da meta de US$ 2 bilhões prevista no plano de fusão. "A sinergia de receitas, que esperávamos de US$ 1,5 bilhão anuais, ainda está em US$ 900 milhões", admitiu o CFO, Gerry Laderman.

Estratégia de longo prazo

Munoz, que assumiu a presidência em 2015 e liderou a fusão, mantém a confiança. "Estamos investindo em novas rotas internacionais, renovação de frota e experiência do cliente. A fusão nos dá escala para competir globalmente", disse. A companhia planeja adicionar 50 novas aeronaves até 2028, incluindo o Boeing 787-10, e expandir sua presença em hubs como Houston, Newark e São Francisco.

Impacto no setor aéreo

A fusão criou pressão sobre concorrentes como Delta e American Airlines, que também buscam consolidações. Especialistas apontam que o setor aéreo global está em um movimento de concentração, com fusões como a da Alaska Airlines com a Virgin America e a da LATAM com a TAM. "A United precisa mostrar resultados concretos para justificar a fusão aos investidores", avalia a analista da consultoria Aviation Partners, Maria Silva.

Para o futuro, a United Airlines projeta uma margem operacional de 12% em 2027, contra os atuais 7%. A meta é alcançar US$ 18 bilhões em receita anual até 2028. "Estamos no caminho certo. A pista é longa, mas a decolagem está próxima", concluiu Munoz.

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