Lula recebe motoristas de app em meio a trava do programa de crédito
Lula recebe motoristas de app em meio a trava de crédito

O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para estimular a compra de carros por motoristas de aplicativo, registra demanda inferior a 10% do esperado em pouco mais de um mês de operação. Diante do desempenho fraco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu representantes da categoria no Palácio do Planalto, enquanto o governo recorre a bancos públicos para tentar deslanchar as vendas.

Demanda aquém do previsto

Segundo dados do Ministério da Fazenda, a procura pelo crédito subsidiado atingiu apenas 8% da meta inicial de 100 mil financiamentos. A baixa adesão é atribuída a entraves burocráticos, exigência de entrada de 20% e juros ainda considerados altos para a maioria dos motoristas.

Em reunião na segunda-feira, Lula ouviu relatos de motoristas que reclamam da dificuldade de acesso ao programa e pediram a redução da entrada e a ampliação do prazo de pagamento. O governo estuda medidas adicionais, como a flexibilização das regras de renda e a inclusão de mais bancos na operação.

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Bancos públicos como alavanca

A estratégia do Planalto é usar a capilaridade da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para acelerar a liberação dos recursos. As duas instituições devem oferecer condições especiais, como carência ampliada e taxas reduzidas, além de simplificar a análise de crédito.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo está empenhado em destravar o programa. "A demanda existe, mas precisamos ajustar o desenho para que o crédito chegue efetivamente a quem precisa", disse Haddad, em entrevista à imprensa.

Impacto no setor automotivo

A lentidão do Move Brasil preocupa montadoras e concessionárias, que esperavam um impulso nas vendas de veículos populares. No primeiro mês, as vendas financiadas pelo programa representaram menos de 5% do total de emplacamentos no país.

Especialistas apontam que a meta de 100 mil veículos pode ser revisada para baixo, caso as medidas não surtam efeito. O governo, no entanto, mantém a expectativa de atingir o número até o fim do ano.

Próximos passos

Após a reunião, o governo anunciou a criação de um grupo de trabalho para monitorar a execução do programa e propor ajustes. Uma nova rodada de negociações com os bancos está prevista para a próxima semana.

Lula pediu que os ministérios da Fazenda e do Trabalho apresentem em até 15 dias um relatório com sugestões para ampliar a adesão, incluindo a possibilidade de subsídio direto ao valor de entrada.

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