Produtores rurais da região de Ribeirão Preto (SP) ainda contabilizam os prejuízos causados pelo temporal da última sexta-feira (24). Ventos de até 160 km/h derrubaram galpões, danificaram máquinas, atingiram áreas de cana-de-açúcar e destruíram estruturas de armazenamento. Em Dumont (SP), o produtor Mário Donegá estima perda de aproximadamente R$ 35 milhões.
Prejuízo milionário em Dumont
Donegá, que cultiva amendoim em cerca de 800 alqueires espalhados pela região, afirma que o principal estrago não foi na lavoura, mas nas instalações de armazenamento. “O amendoim estava todo dentro do galpão, e ele foi atingido. Outro barracão, onde ficavam os maquinários, também caiu. Esse perdeu 100%”, relatou. Segundo ele, o cálculo inclui infraestrutura, amendoim estocado e equipamentos, totalizando cerca de R$ 35 milhões. Áreas de cana também foram afetadas, mas em menor escala.
Incerteza na cana-de-açúcar em Taquaritinga
Em Taquaritinga (SP), o produtor Mário Lemos disse que o temporal atingiu plantios, soqueiras e instalações da Fazenda Pavão. A família ainda realiza levantamentos para acionar o seguro. “A produção não tem seguro. É meio incalculável saber o quanto foi prejudicada, porque só vamos saber com o tempo se essa cana vai ficar viva ou não, ou se terá que replantar tudo”, afirmou. Duas áreas de vivência foram danificadas e passam por reforma; maquinários estão sendo avaliados.
Lais Helena Veiga Lemos, esposa de Mário, contou que oito trabalhadores estavam em uma frente de colheita durante o temporal. Ninguém se feriu. “A gente nunca passou por isso antes. A família é de produtor rural há mais de 80 anos”, disse. Ela relatou quedas de árvores, danos à fiação e parte da sede da fazenda atingida.
Orplana estima área afetada
A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) informou que a área total atingida pelo temporal chega a aproximadamente 105 mil hectares. Desse total, entre 30 mil e 40 mil hectares são de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto. A entidade ressalta que os danos variam: em alguns pontos a cana foi severamente destruída; em outros, apenas deitou com o vento; há regiões com efeitos menores.
Governo anuncia crédito emergencial e cita 79 mil hectares danificados
Na segunda-feira (27), o governador Tarcísio de Freitas afirmou que uma estimativa inicial do Estado apontava 79 mil hectares afetados. “É impressionante o tamanho do estrago. Difícil quantificar neste momento”, disse. Segundo ele, ventos de 160 km/h derrubaram 54 torres de transmissão e causaram perdas em estufas, pomares, silos e estruturas de armazenagem em municípios como Taquaritinga, Guariba, Barrinha, Pradópolis, Dumont e Ribeirão Preto.
O governo de São Paulo anunciou, nesta terça-feira (28), R$ 400 milhões em crédito emergencial para empresas e produtores rurais. Os financiamentos serão operados pela Desenvolve SP, agência de fomento estadual, para cidades com decreto de situação de emergência homologado. A linha de investimento cobre construção e reforma de galpões, compra de máquinas, reconstrução de estufas, com prazo de até dez anos, carência de até três anos e taxa a partir de 5% ao ano mais IPCA. Uma segunda linha de capital de giro oferece até R$ 500 mil, prazo de três anos, carência de seis meses e mesma taxa. As solicitações devem ser feitas pelo site da Desenvolve SP.
Prefeituras também podem pedir financiamento
Prefeituras dos municípios afetados que tiverem decreto de emergência homologado também poderão solicitar crédito. O limite é de até R$ 118 milhões por município, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal e a capacidade de endividamento de cada prefeitura.



