Em um vídeo que repercutiu nesta terça-feira (28), Francisco das Chagas, conhecido como "Chico Trader", afirmou ser o único responsável pela Xtreme Trade, empresa investigada por um esquema que teria movimentado cerca de R$ 600 milhões em aproximadamente dois anos e meio. "Eu que operava, fazia gestão. Toda responsabilidade pela empresa, é minha", declarou. A gravação ocorreu um dia antes de ele se apresentar à Polícia Civil do Piauí, na quarta-feira (22), segundo sua defesa.
O vídeo e a defesa
No vídeo, Francisco afirma que não estava foragido e que deixou Teresina por causa de represálias e ameaças contra ele e sua família. "Eu só realmente saí da cidade onde eu morava por causa das represálias e para me proteger das ameaças. No início da apuração, prestei depoimento online ao delegado, respondi todas as perguntas e disse que estaria disponível para qualquer esclarecimento", disse. O advogado do investigado confirmou que a apresentação à polícia e a gravação foram decisões tomadas pelo próprio cliente.
O esquema da Xtreme Trade
Segundo a Polícia Civil, Francisco começou a atuar no mercado financeiro em 2017. Após uma parceria malsucedida que deixou investidores com prejuízos superiores a R$ 100 mil, ele passou a atuar sozinho e fundou a Xtreme Trade. Em 2023, tornou-se o único sócio-administrador e intensificou a captação de recursos de terceiros. O delegado Luciano Alcântara afirmou que esta pode ser o maior golpe financeiro já registrado na história do Piauí.
O esquema atraía investidores com promessas de altos lucros por meio de supostas operações na Bolsa de Valores. A empresa aceitava investimentos em dinheiro, transferências bancárias, joias e veículos, o que dificulta calcular o prejuízo total. Entre cerca de 100 vítimas já ouvidas, as perdas individuais variam de R$ 200 mil a R$ 400 mil.
Depoimento e prisão
Durante o depoimento, Francisco afirmou não ter recursos para ressarcir as vítimas. Segundo ele, parte do dinheiro foi usada para pagar faturas de cartões de crédito de investidores, enquanto o restante teria sido perdido em operações na Bolsa. A Polícia Civil informou que a investigação aponta que o esquema movimentou R$ 600 milhões em cerca de dois anos e meio.
Com o desaparecimento de Francisco, centenas de vítimas procuraram a polícia, que passou a investigar em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na segunda fase da Operação Extrema Confiança, em junho de 2026, a Justiça expediu mandados de prisão contra Francisco e sua namorada, Kayra. Ambos foram incluídos na lista de procurados da Interpol.
Na quarta-feira (22), Francisco compareceu voluntariamente à delegacia e foi preso. Após depoimento, passou por audiência de custódia e foi encaminhado ao sistema prisional. A polícia agora concentra esforços para localizar Kayra, que permanece foragida, e concluir o inquérito que será remetido ao Ministério Público.
Impacto e próximos passos
A Operação Extrema Confiança já ouviu cerca de 100 vítimas, mas o número total de prejudicados pode ser maior devido à dificuldade de rastrear todos os investimentos. O delegado Luciano Alcântara destacou a magnitude do caso: "Este pode ser o maior golpe financeiro da história do Piauí". A defesa de Francisco afirma que ele colabora com as investigações e que a falência empresarial será esclarecida.



