A Michelin registrou queda de 15% no lucro líquido do primeiro semestre de 2026, totalizando €1,2 bilhão, em meio à contínua fraqueza do mercado de pneus originais. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira pela fabricante francesa, que citou a redução da produção global de veículos como principal fator.
Cenário de demanda enfraquecida
As vendas de pneus originais, destinados a montadoras, recuaram 8% na comparação anual, pressionando a receita total da companhia, que somou €12,8 bilhões, queda de 4%. Já o segmento de reposição apresentou estabilidade, com leve alta de 1%.
“O ambiente permanece desafiador, especialmente no setor de equipamentos originais, onde a demanda das montadoras continua abaixo das expectativas”, afirmou o CEO da Michelin, Florent Menegaux, em comunicado. A empresa prevê que a recuperação do mercado de veículos novos deve ocorrer apenas em 2027.
Impacto por regiões
Na Europa, as vendas de pneus originais caíram 12%, enquanto na América do Norte o recuo foi de 9%. A Ásia, tradicional motor de crescimento, registrou queda de 5%, influenciada pela desaceleração da economia chinesa. A Michelin também destacou que a alta dos custos de matérias-primas, como borracha e aço, comprimiu margens.
O lucro operacional ajustado recuou 11%, para €1,9 bilhão, com margem de 14,8%, contra 16,1% um ano antes. Apesar do cenário adverso, a companhia manteve a meta de atingir margem operacional acima de 15% no ano fiscal completo, confiando em cortes de custos e ganhos de produtividade.
Estratégia de adaptação
Para mitigar os efeitos, a Michelin anunciou um plano de redução de custos de €300 milhões até o fim de 2026, envolvendo otimização de fábricas e ajustes na força de trabalho. “Estamos tomando medidas proativas para proteger nossa rentabilidade, sem comprometer investimentos em inovação e sustentabilidade”, disse Menegaux.
A empresa também reforçou sua aposta em pneus de alto valor agregado, como os para veículos elétricos e de luxo, segmento que cresceu 6% no período. As vendas de pneus para caminhões, por outro lado, caíram 7%, refletindo a menor atividade industrial global.
Perspectivas para o segundo semestre
A Michelin projeta que o mercado de pneus originais continue fraco no segundo semestre, mas espera que a reposição mantenha resiliência. Para 2026 como um todo, a receita deve ficar entre €24 bilhões e €25 bilhões, com lucro líquido entre €2,2 bilhões e €2,5 bilhões.
A ação da Michelin fechou em queda de 2,3% na Bolsa de Paris, cotada a €98,50, refletindo a decepção do mercado com os resultados. Analistas consultados pela FactSet esperavam lucro líquido de €1,3 bilhão, o que significa que a empresa ficou abaixo das projeções.



