ISA Energia cadastra projetos em leilão de baterias para manter opção
ISA Energia cadastra projetos em leilão de baterias

A ISA Energia realizou o cadastro de projetos no leilão de baterias promovido pelo governo federal, conforme revelou a diretora de Operações da companhia, em entrevista exclusiva. A medida, segundo ela, tem como objetivo "manter a opção" de participar do certame, sem que isso represente um compromisso definitivo de investimento.

Cadastro estratégico para preservar alternativas

Em conversa com jornalistas após evento do setor elétrico, a executiva explicou que o cadastro é uma etapa preliminar e não vincula a empresa à apresentação de propostas. "Fizemos o cadastro para manter a opção. Isso não significa que vamos participar efetivamente do leilão, mas queremos ter a possibilidade caso as condições sejam favoráveis", afirmou.

O leilão de baterias, organizado pelo Ministério de Minas e Energia em parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), visa contratar sistemas de armazenamento de energia para reforçar a segurança do sistema elétrico nacional. A expectativa é que o certame atraia investimentos bilionários, com capacidade instalada de até 2 gigawatts (GW).

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Contexto do mercado de armazenamento

A ISA Energia, controlada pela colombiana ISA e com presença relevante em transmissão de energia no Brasil, enxerga no armazenamento uma fronteira estratégica. A diretora destacou que a tecnologia de baterias é complementar às linhas de transmissão, ajudando a gerenciar a intermitência de fontes renováveis, como solar e eólica.

Especialistas do setor apontam que o leilão de baterias é pioneiro na América Latina e pode servir de modelo para outros países. Segundo dados da Associação Brasileira de Armazenamento de Energia (ABAE), o país tem potencial para instalar mais de 10 GW em sistemas de armazenamento até 2030, desde que haja regulação clara e incentivos econômicos.

Decisão final dependerá de viabilidade econômica

A diretora ressaltou que a decisão de participar efetivamente do leilão dependerá de uma análise detalhada de viabilidade econômica. "Estamos avaliando custos, receitas e riscos. O cadastro é apenas o primeiro passo. A participação final será baseada em critérios técnicos e financeiros rigorosos", disse.

Ela também mencionou que a empresa está atenta às regras do edital, que preveem receitas fixas por disponibilidade e variáveis por operação. "O desenho do leilão é inovador, mas precisamos garantir que os contratos sejam atrativos para os investidores e para os consumidores", completou.

Impacto no setor elétrico

O leilão de baterias é visto como um marco para a modernização do setor elétrico brasileiro. A contratação de armazenamento pode reduzir a necessidade de usinas termelétricas, diminuir custos operacionais e aumentar a confiabilidade do sistema. Estima-se que a implantação de 1 GW de baterias pode evitar a emissão de cerca de 1,5 milhão de toneladas de CO2 por ano, segundo cálculos de consultorias.

Para a ISA Energia, a participação no leilão, mesmo que apenas como opção, sinaliza sua intenção de diversificar seus ativos e acompanhar as tendências globais de transição energética. A empresa já opera mais de 20 mil quilômetros de linhas de transmissão e busca novas oportunidades de crescimento.

Próximos passos

O edital do leilão prevê a entrega de propostas comerciais até outubro, com a realização do certame prevista para dezembro. A ISA Energia, assim como outras empresas do setor, aguarda a publicação de esclarecimentos adicionais pela Aneel para refinar suas análises.

"Estamos confiantes de que o leilão será bem-sucedido e trará benefícios para o sistema. Nossa participação será decidida com responsabilidade e alinhada aos interesses de nossos acionistas e da sociedade", concluiu a diretora.

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