A indústria brasileira enfrenta um cenário de crescentes custos de produção que ameaça sua competitividade no mercado global. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o aumento dos encargos trabalhistas, tributários e energéticos tem pressionado as margens das empresas.
Custos em alta e impacto na produção
Dados da CNI indicam que os custos industriais subiram 12% nos últimos 12 meses, superando a inflação medida pelo IPCA, que ficou em 8,5% no mesmo período. O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, afirmou que “a indústria perdeu competitividade frente a concorrentes internacionais, especialmente asiáticos”.
O setor destaca que a carga tributária sobre a produção é uma das mais altas do mundo, representando 34% do PIB. Além disso, os custos com energia elétrica aumentaram 18% no último ano, enquanto o gás industrial teve reajuste de 25%.
Medidas do governo são criticadas
Entidades industriais criticam as recentes medidas do governo federal, como o aumento do salário mínimo e a reforma tributária em tramitação no Congresso. Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a reforma pode elevar ainda mais a carga sobre o setor produtivo.
O diretor de Políticas Públicas da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, declarou: “A reforma tributária precisa simplificar, mas não pode aumentar a carga. Do jeito que está, vai penalizar a indústria e o consumidor”.
Impacto nas exportações e no emprego
A perda de competitividade já afeta as exportações industriais, que caíram 5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Setores como o automotivo e o de máquinas e equipamentos foram os mais atingidos.
O emprego industrial também sofreu redução: foram fechados 150 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses, segundo o Caged. A CNI projeta que, sem mudanças estruturais, a participação da indústria no PIB pode cair dos atuais 11% para 9% nos próximos cinco anos.
Perspectivas e reivindicações
As entidades industriais cobram do governo ações para reduzir o custo Brasil, como a desoneração da folha de pagamentos, a redução de impostos sobre investimentos e a melhoria da infraestrutura logística.
Robson Braga de Andrade concluiu: “Precisamos de um choque de competitividade. O governo precisa entender que a indústria é essencial para gerar emprego e renda”. O Ministério da Economia informou que estuda medidas para aliviar os custos, mas não deu detalhes sobre prazos.



