As importações brasileiras de bicicletas elétricas originárias da China registraram um aumento expressivo de 178% em 2026, na comparação com o ano anterior. Os dados, divulgados pelo Ministério da Economia, apontam que o volume total importado atingiu 1,2 milhão de unidades, consolidando a China como principal fornecedora desse tipo de veículo para o mercado nacional.
Crescimento impulsionado por preços e demanda
O avanço nas importações é atribuído, principalmente, à redução dos custos de produção na China e à crescente busca dos brasileiros por alternativas de transporte mais sustentáveis e econômicas. Segundo especialistas do setor, o preço médio das bicicletas elétricas importadas caiu 12% em relação a 2025, tornando o produto mais acessível à população.
"A demanda por bicicletas elétricas cresceu de forma significativa nos últimos anos, impulsionada por fatores como o aumento do preço dos combustíveis e a preocupação com o meio ambiente", afirma Carlos Alberto, analista de mercado da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike).
Impacto no mercado interno
O crescimento das importações gerou impactos no mercado interno. Enquanto as vendas de bicicletas elétricas no varejo aumentaram 95% no primeiro semestre de 2026, a produção nacional de bicicletas convencionais sofreu uma redução de 8%. A indústria nacional, no entanto, tem investido em novas linhas de montagem para atender à demanda por modelos elétricos.
De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Bicicletas (ANFAB), a produção local de bicicletas elétricas ainda é incipiente, representando apenas 15% do total vendido no país. A expectativa é que, com os investimentos em andamento, esse percentual alcance 30% até 2028.
Perspectivas para o setor
Analistas apontam que a tendência de crescimento das importações deve se manter nos próximos anos, especialmente se a China mantiver os preços competitivos. No entanto, alertam para a necessidade de políticas públicas que estimulem a produção nacional e reduzam a dependência externa.
O governo federal estuda a criação de um programa de incentivos fiscais para a indústria nacional de bicicletas elétricas, com o objetivo de gerar empregos e fomentar a inovação tecnológica. A proposta, que ainda está em fase de elaboração, deve ser apresentada ao Congresso Nacional até o final do ano.



