Iguatemi lucra R$ 135 mi no 2º tri, queda de 35,4 pontos percentuais
Iguatemi lucra R$ 135 mi no 2º tri, queda de 35,4 p.p.

A Iguatemi, uma das principais administradoras de shopping centers do Brasil, reportou lucro líquido de R$ 135 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 35,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado por eventos não recorrentes, conforme balanço divulgado nesta terça-feira (4).

Desempenho financeiro e receita

A receita líquida da companhia somou R$ 500 milhões no trimestre, alta de 8,2% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento das vendas nos shoppings e pela expansão das operações de estacionamento e aluguel de espaços comerciais. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 280 milhões, com margem de 56%, estável em relação ao ano passado.

O lucro antes de itens extraordinários, que exclui efeitos não recorrentes, ficou em R$ 210 milhões, praticamente estável ante os R$ 208 milhões do segundo trimestre de 2025. A queda do lucro líquido contábil deve-se, principalmente, a um ganho não recorrente registrado no ano passado, relacionado à venda de participação em um empreendimento.

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Vendas e ocupação

As vendas totais dos shoppings administrados pela Iguatemi alcançaram R$ 4,5 bilhões no período, crescimento de 12% sobre o mesmo trimestre de 2025. O desempenho foi puxado pelo segmento de luxo, que registrou alta de 18%, e pelo de alimentação, com avanço de 15%. A taxa de ocupação média dos empreendimentos ficou em 96,5%, ligeiramente acima dos 96,2% do ano anterior.

O tíquete médio de vendas cresceu 5% na comparação anual, refletindo a melhora do consumo das classes de maior renda. Segundo a administração, o fluxo de visitantes nos shoppings aumentou 7% no trimestre, impulsionado por ações de marketing e pela inauguração de novas lojas.

Endividamento e investimentos

A dívida líquida da Iguatemi encerrou o segundo trimestre em R$ 2,8 bilhões, o equivalente a 2,5 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses. A companhia afirma que mantém uma política conservadora de gestão de caixa e que não há vencimentos relevantes de dívida no curto prazo.

Os investimentos no período somaram R$ 150 milhões, destinados principalmente à expansão do shopping Iguatemi São Paulo e à modernização de unidades no Nordeste. Para o restante de 2026, a empresa prevê investir mais R$ 400 milhões, focando em projetos de expansão e reposicionamento de ativos.

Perspectivas e orientação da administração

Em teleconferência com analistas, o diretor-presidente da Iguatemi, Carlos Jereissati, destacou que a companhia segue focada em crescimento orgânico e em aquisições seletivas. "Estamos confiantes na resiliência do nosso portfólio, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador", afirmou.

A administração projeta para o segundo semestre uma manutenção do crescimento das vendas em dois dígitos, apoiada em datas comemorativas como Dia dos Pais e Natal. A companhia também espera concluir a reforma do shopping Iguatemi Brasília até o fim do ano, o que deve contribuir para o aumento da receita de aluguel em 2027.

No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido da Iguatemi somou R$ 310 milhões, queda de 22% ante o mesmo período de 2025, também por efeitos não recorrentes. A receita acumulada cresceu 7,5%, para R$ 980 milhões.

Reação do mercado

As ações da Iguatemi fecharam o pregão desta terça-feira em alta de 1,2%, a R$ 22,50, em linha com o desempenho do setor. Analistas do mercado avaliam que o resultado operacional veio dentro do esperado, mas que a queda do lucro líquido pode gerar alguma pressão no curto prazo.

O banco UBS, em relatório, manteve recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 25, citando a forte geração de caixa e a qualidade dos ativos. Já o Itaú BBA destacou a resiliência das vendas, mas alertou para o aumento da concorrência em alguns mercados.

Contexto econômico e setor

O resultado da Iguatemi vem em um momento de desaceleração do consumo no país, com a inflação acumulada em 12 meses acima da meta e a taxa básica de juros em patamar elevado. No entanto, o setor de shopping centers tem mostrado resiliência, com crescimento nominal das vendas impulsionado pela inflação e pela recuperação do emprego.

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Especialistas apontam que o segmento de alto padrão, onde a Iguatemi atua, tende a sofrer menos impacto da alta dos juros, pois o público consumidor é menos sensível a crédito. Além disso, o turismo de compras, especialmente de estrangeiros, continua aquecido em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.