A corrida pela inteligência artificial domina as conversas sobre o futuro do trabalho, mas a principal vantagem competitiva pode estar em uma capacidade muito mais antiga: aprender. Dados recentes apontam que a tecnologia evolui em ritmo acelerado, e a habilidade humana de acompanhar essa evolução se tornou o verdadeiro diferencial. Enquanto 72% dos CEOs brasileiros planejam ampliar investimentos em IA, apenas 4% citam a redução de postos como prioridade, segundo a EY-Parthenon.
CEOs colocam IA no centro da estratégia
Pesquisa da EY-Parthenon com 50 CEOs brasileiros revela que 72% pretendem aumentar os investimentos em inteligência artificial, enquanto os demais manterão os aportes atuais. Além disso, 84% acreditam que a qualificação da força de trabalho em IA será determinante para definir os líderes de mercado do futuro. A tecnologia deixou de ser periférica e passou a ser central nas decisões de negócio.
Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon, afirma: "A IA está migrando de iniciativas pontuais para aplicações que impactam diretamente a tomada de decisão, produtividade, experiência do cliente e geração de receita". Ele acrescenta que "tudo indica que será um tema que ganhará ainda mais espaço".
Fluência em IA vira pré-requisito básico
Levantamento da Dio, que analisou contratações em 135 empresas brasileiras e ouviu mais de 18 mil pessoas, mostra que a "fluência em IA" já integra os critérios de seleção. O domínio dessas ferramentas tende a se tornar uma competência básica, como aconteceu com a informática e o inglês. O CEO da Dio, Iglá Generoso, explica: "Mostrar 'fluência' em IA já faz parte do básico. Assim como aconteceu com a informática ou o inglês, essa competência dificilmente será o fator decisivo em uma contratação, mas a sua ausência tende a fechar portas".
Desafio é transformar uso individual em capacidade coletiva
Dados do Google indicam que 68% das ocupações analisadas já usam o Gemini, mas em metade delas a ferramenta participa de apenas 20% das atividades. Somente 3% utilizam IA em mais de 75% das tarefas. A IA ainda é principalmente uma ferramenta de apoio para pesquisa, escrita e análise.
Segundo a Page Executive, 83% dos executivos relatam aumento de produtividade individual com IA, mas apenas 68% percebem ganhos no nível organizacional. Na qualidade do trabalho, 80% veem melhorias individuais, ante 61% para a organização. Humberto Wahrhaftig, senior partner da Page Executive no Brasil, destaca que muitas empresas ainda não transformaram o uso individual da tecnologia em capacidade coletiva.
Aprender é a nova competência estratégica
O relatório State of Organizations 2026, da McKinsey, aponta que 72% dos líderes afirmam que suas organizações não conseguem executar os planos que aprovam. Estudos do Stanford Digital Economy Lab e do MIT mostram que 77% dos desafios na adoção da IA estão ligados à gestão da mudança, qualidade dos dados e revisão de processos, enquanto 95% dos projetos-piloto de IA generativa ainda não geram impacto financeiro mensurável.
O diferencial competitivo não será a IA mais sofisticada, mas a capacidade de aprender mais rápido do que o ambiente muda. Empresas que transformarem aprendizado contínuo em cultura terão vantagem sustentável, com pessoas evoluindo na mesma velocidade das ferramentas que utilizam.



