A corretora de iates Cecil Wright & Partners entrou com uma ação judicial contra Nik Storonsky, fundador e CEO do Revolut, alegando que o bilionário agiu “pelas costas” da empresa para evitar o pagamento de uma comissão milionária na venda de um superiate de luxo avaliado em 350 milhões de euros. A embarcação, uma das mais caras do mundo, pertenceu anteriormente ao empresário brasileiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Entenda o caso
De acordo com a Cecil Wright, a empresa foi contratada para intermediar a venda do iate, que estava listado por cerca de 350 milhões de euros. No entanto, Storonsky teria conduzido negociações paralelas diretamente com o comprador, sem o conhecimento da corretora, para evitar o pagamento da comissão, que normalmente varia entre 3% e 5% do valor do negócio. Isso representaria uma perda de aproximadamente 10,5 milhões a 17,5 milhões de euros para a corretora.
A ação foi protocolada em um tribunal de Londres, onde a Cecil Wright tem sede. A empresa afirma que Storonsky usou informações confidenciais obtidas durante o processo de intermediação para fechar o negócio de forma independente, violando o contrato de exclusividade que havia sido assinado.
O superiate de luxo
O superiate em questão é um dos maiores e mais sofisticados do mundo, com mais de 100 metros de comprimento, heliponto, piscina, academia e acomodações para até 16 hóspedes e 30 tripulantes. A embarcação foi construída por um estaleiro holandês e entregue em 2021, tendo sido adquirida por Daniel Vorcaro, que a colocou à venda posteriormente. O iate chegou a ser oferecido por 350 milhões de euros, mas o valor final da transação não foi divulgado.
Nik Storonsky, de 40 anos, é um dos empresários mais ricos do Reino Unido, com fortuna estimada em mais de 8 bilhões de libras, segundo o Sunday Times. Ele fundou o Revolut em 2015, fintech que se tornou um dos maiores bancos digitais da Europa, avaliada em mais de 30 bilhões de dólares. A compra do superiate é vista como um símbolo do seu novo status de bilionário.
Repercussão e defesa
Até o momento, nem Storonsky nem o Revolut comentaram publicamente o caso. A Cecil Wright, por sua vez, emitiu uma nota afirmando que “confia na justiça e espera que o tribunal reconheça a validade do contrato e a conduta inadequada do réu”. A corretora também pede indenização por danos e perdas, além do pagamento da comissão devida.
Especialistas em direito marítimo ouvidos pela imprensa britânica destacam que casos como esse são raros no setor de iates de luxo, pois normalmente as transações são conduzidas com total transparência entre as partes. No entanto, quando há disputas, os valores envolvidos costumam ser altos e os processos podem se arrastar por anos.
O caso também levanta questões sobre a conduta ética de bilionários no mercado de bens de luxo, onde a discrição é valorizada, mas a legalidade dos negócios é fundamental. A ação contra Storonsky pode ter impacto na sua reputação, especialmente em um momento em que o Revolut busca expandir seus negócios globalmente, inclusive no Brasil, onde já opera.
Contexto no Brasil
Daniel Vorcaro, que vendeu o iate para Storonsky, é um empresário brasileiro conhecido no setor financeiro, presidente do Banco Master, instituição que cresceu rapidamente nos últimos anos. A venda do superiate, ocorrida em 2023, foi realizada por meio de intermediários, e a Cecil Wright afirma que foi a responsável por apresentar o comprador a Vorcaro, o que é contestado pela defesa de Storonsky.
O caso ganhou destaque na imprensa internacional, mas ainda não há uma decisão judicial. Enquanto isso, a comunidade de iates de luxo acompanha o desfecho, que pode estabelecer precedentes para futuras negociações.



