A Ford e a Geely formalizaram uma joint venture para desenvolver e fabricar veículos na Espanha. A nova empresa operará na fábrica da Ford em Almussafes, região de Valência, com participação de 66% da montadora norte-americana e 34% da fabricante chinesa. O negócio ainda aguarda aprovação dos órgãos reguladores, com previsão de início das operações no primeiro semestre de 2027 e os primeiros modelos saindo da linha de montagem em 2028.
Estratégia de redução de custos e expansão europeia
Para a Ford, a parceria permite dividir custos de desenvolvimento e otimizar o uso da fábrica espanhola, que atualmente produz apenas o SUV Kuga. A unidade tem capacidade para 500 mil veículos por ano, mas operou com apenas 26% desse volume em 2025, equivalente a cerca de 130 mil unidades. A joint venture planeja manter a produção do Kuga e gradualmente reduzir a ociosidade, com previsão de contratar mais trabalhadores conforme o volume aumentar. Atualmente, a fábrica emprega aproximadamente 4.200 pessoas.
Já a Geely encurta o caminho para produzir carros dentro da Europa, evitando tarifas e cumprindo futuras exigências de conteúdo local para veículos elétricos na União Europeia. Será a primeira fábrica própria da marca chinesa no continente. A estratégia é semelhante à adotada no Brasil, onde a Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil em novembro de 2025, utilizando a estrutura industrial de São José dos Pinhais (PR) e a rede de distribuição da parceira francesa.
Cinco modelos na linha de produção
A joint venture prevê a produção de cinco veículos. Além do Ford Kuga, a Ford lançará um novo SUV da família Bronco, de porte menor, voltado inicialmente ao mercado europeu, com estreia prevista para 2028. Também está nos planos um crossover inédito, desenhado pela Ford e desenvolvido em conjunto com a Geely. Esse modelo terá versões elétrica, híbrida plug-in e elétrica com extensor de autonomia (REEV).
Pelo lado da Geely, serão produzidos dois SUVs elétricos. O primeiro é o EX5, modelo já comercializado na Europa e também disponível no Brasil. O segundo veículo ainda está em desenvolvimento e não teve o nome divulgado. A expectativa é que os modelos ajudem a marca chinesa a ampliar sua presença no continente, onde as vendas internacionais da Geely somaram 474 mil veículos no primeiro semestre de 2026, um avanço de 158% em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com a empresa.



