O número de pedidos de falência no Brasil registrou alta de 23% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.452 casos. Os dados são do Boa Vista SCPC, que aponta também um aumento de 18% nos pedidos de recuperação judicial, que somaram 1.234 requerimentos.
Crescimento generalizado por setores
Segundo o levantamento, todos os setores da economia apresentaram elevação nos pedidos de falência. O setor de serviços lidera, com 589 pedidos, seguido pelo comércio (487) e indústria (376). No caso da recuperação judicial, o comércio respondeu por 45% dos pedidos, com 555 solicitações.
"Os números refletem o ambiente de juros altos e desaceleração econômica, que impacta principalmente as empresas de menor porte", afirmou o economista-chefe do Boa Vista SCPC, Flávio Calife. "A inadimplência das empresas também subiu, o que pressiona o fluxo de caixa e leva a medidas judiciais."
Impacto da política monetária
A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, encarece o crédito e reduz a capacidade de investimento das empresas. O endividamento corporativo atingiu 72% do PIB no primeiro trimestre, segundo dados do Banco Central. "Com juros elevados, as empresas têm dificuldade para rolar dívidas e acabam recorrendo à recuperação judicial como alternativa", explicou Calife.
As regiões Sudeste e Sul concentram 78% dos pedidos de falência, com destaque para São Paulo (512), Rio de Janeiro (198) e Minas Gerais (134). No Nordeste, o crescimento foi de 31%, acima da média nacional.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa do Boa Vista SCPC é de que o número de falências continue elevado nos próximos meses, caso a política monetária não seja revista. "A manutenção da Selic em patamar elevado deve manter a pressão sobre as empresas, especialmente as de menor porte", afirmou o economista. "A recuperação judicial pode ser uma saída, mas nem todas conseguem se reestruturar."
Em 2025, o total de pedidos de falência foi de 2.450, o maior desde 2017. Se mantida a tendência, 2026 pode superar esse número, com projeção de 2.800 casos até o fim do ano.



