O número de falências requeridas no Brasil aumentou 24,2% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados pela Boa Vista SCPC. Foram registrados 1.024 pedidos de falência entre janeiro e junho, contra 825 no mesmo intervalo de 2025.
Crescimento também nas recuperações judiciais
As recuperações judiciais também apresentaram alta, com 1.215 pedidos no semestre, um crescimento de 12,4% ante os 1.081 do ano passado. O levantamento, realizado pela Boa Vista SCPC, mostra que a maioria dos pedidos de falência parte de micro e pequenas empresas, que respondem por cerca de 70% do total.
Segundo a economista da Boa Vista SCPC, Flávia Ribeiro, o aumento reflete o impacto da inflação e dos juros altos sobre o caixa das empresas. "A combinação de custos elevados e crédito caro tem pressionado especialmente os negócios de menor porte, que possuem menos reservas para enfrentar períodos de retração", afirmou.
Setores mais afetados
O setor de serviços lidera os pedidos de falência, concentrando 45% do total, seguido pelo comércio (32%) e pela indústria (18%). Entre os estados, São Paulo responde pela maior parte dos pedidos, com 32%, seguido por Minas Gerais (12%) e Rio de Janeiro (10%).
No mês de junho, especificamente, foram registrados 180 pedidos de falência, uma alta de 15,4% em relação a maio, e 210 pedidos de recuperação judicial, estável na comparação mensal.
Perspectivas para o segundo semestre
Flávia Ribeiro ressalta que a tendência de alta pode se manter no segundo semestre, caso o cenário de juros não mude. "Com a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, esperamos que as dificuldades financeiras das empresas persistam, o que pode levar a novos aumentos nos pedidos", explicou.
Ela também destaca que a recuperação judicial tem sido uma ferramenta cada vez mais utilizada pelas empresas para reestruturar dívidas e evitar a falência. "As empresas estão buscando alternativas para se reorganizar, e a recuperação judicial se mostra um instrumento importante nesse processo", completou.
Análise setorial
Entre os setores, o de serviços, que inclui restaurantes, escritórios e prestadores de serviços em geral, tem sido o mais afetado. O comércio varejista também sofre com a queda nas vendas e o endividamento das famílias.
Para a Boa Vista SCPC, a tendência é que as falências continuem crescendo até que haja uma melhora significativa na economia, com controle da inflação e redução dos juros. "A recuperação econômica é essencial para reverter esse quadro", concluiu a economista.



