A mineradora e trader Glencore divulgou nesta quinta-feira (5) que seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu US$ 10,115 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 8,6% em relação aos US$ 9,31 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava em média US$ 9,8 bilhões, segundo compilação da Visible Alpha.
Desempenho por segmento
O desempenho foi puxado principalmente pelo segmento de carvão, que registrou um Ebitda de US$ 4,2 bilhões, alta de 12% ano a ano, beneficiado por preços mais altos no mercado internacional e pela forte demanda da Ásia. O cobre também contribuiu positivamente, com Ebitda de US$ 3,1 bilhões, um avanço de 9%, refletindo a recuperação dos preços do metal e o aumento do volume produzido nas minas da empresa na América do Sul e na Austrália.
Por outro lado, o segmento de zinco e níquel apresentou queda de 5% no Ebitda, para US$ 1,4 bilhão, devido a custos operacionais mais altos e menores preços do níquel. O segmento de petróleo e gás, que a Glencore vem reduzindo gradualmente, teve Ebitda de US$ 1,2 bilhão, praticamente estável.
Impacto no caixa e dívida
O forte desempenho operacional permitiu à companhia gerar um fluxo de caixa livre de US$ 4,8 bilhões no semestre, ante US$ 3,9 bilhões no ano anterior. Com isso, a dívida líquida da Glencore caiu para US$ 8,5 bilhões, o menor nível desde 2021, quando a empresa passou por uma reestruturação. A relação dívida líquida/Ebitda ficou em 0,4 vez, bem abaixo da meta interna de 1,0 vez.
"Os resultados do primeiro semestre refletem a solidez do nosso portfólio diversificado e a disciplina operacional em um ambiente de preços favorável para carvão e cobre", afirmou o CEO da Glencore, Gary Nagle, em nota oficial. "Continuamos focados em maximizar o retorno aos acionistas, mantendo ao mesmo tempo uma estrutura de capital robusta."
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre, a Glencore projeta que os preços do carvão térmico permaneçam elevados devido à demanda da China e da Índia, embora com alguma volatilidade. No cobre, a empresa espera que o déficit estrutural de oferta continue a sustentar os preços, apesar da desaceleração econômica global. A companhia também informou que está avançando em seus projetos de expansão, incluindo a mina de cobre El Pachon, na Argentina, que deve entrar em operação em 2028.
Os investidores reagiram positivamente ao anúncio, com as ações da Glencore subindo 2,3% na Bolsa de Londres, cotadas a 410,2 pence. A empresa mantém sua política de distribuir pelo menos 25% do fluxo de caixa livre aos acionistas, e o conselho aprovou um dividendo intermediário de US$ 0,13 por ação, pagável em setembro.
Analistas do setor veem com bons olhos a gestão da Glencore, mas alertam para riscos como a possível regulação mais rígida sobre emissões de carbono na Europa, que pode afetar o segmento de carvão no médio prazo. "A Glencore está colhendo os frutos de sua estratégia de manter o carvão enquanto outros players saíram, mas isso pode se tornar um passivo no futuro", comentou o analista da Jefferies, Christopher LaFemina.



