Davita rompe contrato com Hapvida e atinge pacientes renais
A Davita, maior empresa de hemodiálise do mundo, anunciou o descredenciamento da Hapvida, uma das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil. A decisão, que entra em vigor imediatamente, afeta milhares de pacientes que dependem de tratamento dialítico realizado nas clínicas da companhia americana. Segundo a Davita, o rompimento se deve a atrasos recorrentes nos pagamentos e divergências contratuais com a Hapvida.
Impacto imediato nos pacientes
Estima-se que cerca de 12 mil pacientes renais crônicos sejam impactados, de acordo com dados da Associação Brasileira de Nefrologia (ABN). Muitos deles realizam sessões de hemodiálise três vezes por semana nas unidades da Davita espalhadas por 12 estados brasileiros. Com o descredenciamento, esses pacientes precisarão buscar alternativas na rede credenciada da Hapvida, o que pode gerar longas filas e risco à saúde.
“É uma situação de extrema gravidade. Esses pacientes não podem interromper o tratamento nem por um dia. A responsabilidade agora é da Hapvida de garantir a continuidade do cuidado com qualidade e rapidez”, afirma o nefrologista Carlos Alberto, consultor da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
Hapvida se manifesta sobre o descredenciamento
A Hapvida, em nota oficial, afirmou que “lamenta a decisão unilateral da Davita” e que está mobilizando sua rede própria e parceiros para absorver os pacientes. A operadora informou que possui clínicas próprias em diversas regiões e que está em processo de credenciamento de novos serviços de hemodiálise para minimizar os transtornos. No entanto, especialistas alertam que a capacidade instalada pode ser insuficiente a curto prazo.
“A Hapvida tem uma rede própria considerável, mas não em todos os municípios onde a Davita atuava. Haverá sobrecarga em algumas localidades, especialmente no Nordeste, onde a concentração de pacientes é maior”, explica Maria Fernanda, analista de saúde do banco BTG Pactual.
Números do setor de hemodiálise no Brasil
No Brasil, cerca de 140 mil pessoas realizam hemodiálise regularmente, das quais aproximadamente 30% são atendidas por planos de saúde. O mercado de diálise privado é dominado por três grandes grupos: a Davita, a Fresenius Medical Care e a Baxter. A Davita possui 75 clínicas no país, responsáveis por cerca de 20% de todo o atendimento privado. O contrato com a Hapvida representava cerca de 15% do faturamento da Davita no Brasil, segundo fontes do setor.
Próximos passos e recomendações
O Ministério Público Federal (MPF) informou que vai acompanhar o caso para garantir que os direitos dos pacientes sejam preservados. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também foi acionada e pode intervir para assegurar a portabilidade de carências e a continuidade do tratamento. Enquanto isso, a orientação para os pacientes é entrar em contato com a Hapvida para agendar a migração para um novo prestador e não faltar a nenhuma sessão.
A Davita, por sua vez, afirmou que está disposta a retomar o contrato caso haja renegociação dos valores e garantias de pagamento. “Estamos abertos ao diálogo, mas as condições financeiras precisam ser ajustadas para viabilizar a parceria”, declarou o porta-voz da empresa. A Hapvida não comentou se há negociações em andamento.



