Cresce número de formados em TI, mas escassez de mão de obra persiste
Cresce número de formados em TI, mas escassez persiste

O número de formados em Tecnologia da Informação (TI) no Brasil cresceu 15% em 2025, atingindo 60 mil novos profissionais. No entanto, a demanda por mão de obra qualificada no setor continua superando a oferta, resultando em um déficit estimado em 400 mil vagas não preenchidas, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Crescimento da oferta vs. demanda aquecida

O levantamento da Brasscom mostra que o número de concluintes em cursos superiores de TI, como Ciência da Computação, Engenharia de Software e Análise de Sistemas, cresceu de 52 mil em 2024 para 60 mil em 2025. Apesar do avanço, a taxa de crescimento da oferta (15%) é inferior à expansão da demanda, que aumentou 20% no mesmo período, impulsionada pela digitalização acelerada das empresas e pela expansão de startups.

“O mercado de TI brasileiro vive um descompasso estrutural. Embora mais jovens estejam buscando a área, a velocidade da transformação digital é maior, e as empresas enfrentam dificuldades para contratar profissionais com as competências necessárias”, afirma Maria Silva, presidente da Brasscom.

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Setores mais afetados

Os segmentos de segurança da informação, inteligência artificial e desenvolvimento de software são os que mais sofrem com a escassez. Segundo a Brasscom, 60% das empresas de TI relatam dificuldades para preencher vagas nessas áreas. O salário médio de entrada para desenvolvedores subiu 12% em 2025, mas ainda assim não atrai candidatos suficientes.

“Temos vagas abertas há meses para especialistas em cibersegurança. O número de profissionais formados nessa área cresce, mas a demanda é muito maior”, complementa Silva.

Desafios na formação

Especialistas apontam que a formação acadêmica ainda tem lacunas em relação às necessidades do mercado. Cursos muitas vezes focam em teoria, deixando de lado habilidades práticas como metodologias ágeis, cloud computing e programação em linguagens modernas. A pesquisa da Brasscom indica que apenas 40% dos formados em TI estão totalmente aptos a atender às exigências das empresas logo após a graduação.

Para mitigar o problema, empresas como a IBM e a Accenture têm investido em programas de treinamento interno e parcerias com universidades. O governo federal também lançou o programa “Brasil Mais TI”, com meta de capacitar 300 mil profissionais até 2027.

Perspectivas para os próximos anos

A projeção da Brasscom é que o déficit de profissionais de TI se mantenha acima de 400 mil até 2027, caso não haja investimentos significativos em educação e requalificação. A associação defende a ampliação de cursos técnicos e de curta duração, além de maior incentivo à participação feminina e de grupos sub-representados na área.

“Não adianta apenas aumentar o número de formados. Precisamos alinhar o currículo às demandas reais e atrair mais pessoas para a tecnologia desde o ensino básico”, conclui a presidente da Brasscom.

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