Corrida da IA gera conta de US$ 1 trilhão em aluguéis para gigantes
Corrida da IA gera conta de US$ 1 tri em aluguéis

As grandes empresas de tecnologia estão acumulando uma conta coletiva de mais de US$ 1 trilhão em compromissos de aluguel de data centers para sustentar a corrida da inteligência artificial (IA). O valor, revelado em análise do Financial Times com base em dados da TD Cowen, representa um dos maiores passivos do setor e levanta preocupações sobre a capacidade de retorno desses investimentos.

Compromissos bilionários e a estratégia de locação

Empresas como Amazon, Microsoft, Google e Meta firmaram contratos de longo prazo com provedores de infraestrutura, como a Oracle, para alugar servidores e capacidade de processamento. A Amazon, por exemplo, tem US$ 379 bilhões em obrigações de locação, enquanto a Microsoft soma US$ 219 bilhões, e o Google, US$ 213 bilhões. A Meta, por sua vez, comprometeu US$ 149 bilhões. Esses números, que incluem leasing operacional e financeiro, foram divulgados em relatórios trimestrais e refletem a necessidade de escalar rapidamente a infraestrutura para treinar e operar modelos de IA.

A estratégia de alugar em vez de construir é vista como uma forma de acelerar a expansão, mas cria um passivo de longo prazo que pode pressionar os fluxos de caixa das companhias. Segundo o analista da TD Cowen, Michael Elias, “as empresas estão apostando que a demanda por IA vai crescer exponencialmente, mas o risco é que, se a adoção for mais lenta, esses contratos se tornem um fardo financeiro”.

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Impacto nos resultados e riscos futuros

Os gastos com aluguéis já afetam os balanços. A Amazon registrou um aumento de 30% nas despesas com locação no último trimestre, enquanto a Microsoft viu um salto de 25%. Isso ocorre em um momento em que os investidores começam a questionar a rentabilidade dos investimentos em IA, que exigem bilhões em capex sem retorno imediato garantido.

Especialistas apontam que, embora a IA generativa tenha potencial para gerar receitas significativas, o ciclo de retorno pode levar anos. “Há um descompasso entre o investimento inicial e a geração de valor. As empresas precisam provar que a IA vai monetizar, caso contrário, esses aluguéis se tornarão um problema”, afirma a analista do Bernstein, Stacy Rasgon.

Reação do mercado e alternativas

O mercado já dá sinais de preocupação. As ações das grandes de tecnologia tiveram queda média de 3% após a divulgação dos números, e analistas começaram a revisar recomendações. Algumas empresas buscam alternativas, como desenvolver chips próprios ou investir em eficiência energética, mas a locação ainda é a via mais rápida para expandir capacidade.

Enquanto isso, provedores de nuvem como a Oracle e a CoreWeave se beneficiam do momento, com contratos que garantem receita por até 10 anos. Para eles, a corrida da IA é uma oportunidade histórica, mas o risco de inadimplência ou renegociação paira caso a bolha da IA estoure.

Perspectivas para o setor

O cenário é de incerteza. Se a demanda por IA continuar crescendo, os aluguéis se pagarão; se estagnar, as empresas podem enfrentar redução de margens e dificuldades para honrar compromissos. A conta de US$ 1 trilhão é um lembrete de que a inovação tem preço, e o setor observa atento se essa aposta dará retorno.

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