O presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, defendeu que o país precisa de um plano de longo prazo para o setor aéreo, que envolva investimentos em infraestrutura aeroportuária, modernização do espaço aéreo e incentivos ao uso de combustíveis sustentáveis. A declaração foi dada durante evento do setor, realizado em São Paulo, na terça-feira (4).
Desafios estruturais da aviação brasileira
Cadier destacou que a aviação brasileira enfrenta gargalos históricos, como a concentração de voos em poucos aeroportos e a falta de investimentos em terminais regionais. Segundo ele, o crescimento da demanda por transporte aéreo no país exige uma visão integrada e de longo prazo, que vá além das gestões de curto prazo.
“O Brasil precisa de um plano de aviação que olhe para as próximas décadas, não apenas para o próximo ano. Isso envolve desde a ampliação de pistas e terminais até a implementação de novas tecnologias para gestão do tráfego aéreo”, afirmou o executivo.
Infraestrutura e combustível sustentável
O CEO da Latam Brasil também mencionou a importância do desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) como parte essencial do plano. Ele ressaltou que o Brasil tem potencial para se tornar um dos principais produtores mundiais de SAF, devido à sua matriz energética renovável e à grande produção de biomassa.
“Temos condições de liderar a produção de combustível sustentável, mas isso exige políticas públicas estáveis e investimento em pesquisa e inovação. Sem isso, o país corre o risco de ficar para trás na transição energética global”, disse.
Impacto econômico e social
Cadier também destacou o papel da aviação no desenvolvimento econômico e social do país. Segundo ele, o setor é responsável por cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos, e movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano. No entanto, ele alertou que a falta de planejamento pode limitar esse potencial.
“A aviação é um vetor de integração nacional e de atração de investimentos. Se não tivermos um plano consistente, perderemos competitividade e oportunidades de crescimento”, afirmou.
Propostas para o futuro
Entre as propostas apresentadas pelo executivo estão a criação de um fundo de investimento específico para infraestrutura aeroportuária, a simplificação de processos de licenciamento e a maior integração entre os entes federativos. Ele também defendeu a modernização do sistema de controle de tráfego aéreo, que hoje é um dos pontos críticos para a pontualidade dos voos.
“Precisamos de um esforço conjunto entre governo, empresas e sociedade civil. A aviação é um serviço essencial e merece atenção estratégica”, concluiu.
Reações do setor
A declaração de Cadier foi bem recebida por outros representantes do setor, que concordam com a necessidade de um planejamento de longo prazo. Especialistas apontam que a falta de visão estratégica tem sido um dos principais entraves para a modernização da aviação brasileira.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mostram que o número de passageiros transportados no Brasil cresceu 8% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 45 milhões. A tendência de alta reforça a urgência de investimentos.



