Cenário pesa sobre ações cíclicas domésticas, apesar de preço atrativo
Cenário pesa sobre ações cíclicas domésticas

O cenário macroeconômico adverso, marcado pela desaceleração da atividade doméstica, está pesando sobre as ações cíclicas brasileiras, mesmo com preços considerados atrativos por analistas. Gestores de recursos estão seletivos e privilegiam companhias com operações mais resilientes, enquanto estratégias de hedge, como o 'long e short', ganham tração para proteger carteiras contra riscos que fogem ao controle dos investidores.

Efeito da desaceleração sobre cíclicas

Rodrigo Andrade, da Vinland, destaca que operar 'long e short' protege de efeitos que não se pode controlar. Em entrevista, ele afirmou: 'O mercado está precificando um cenário de piora, mas a seletividade é essencial. Não adianta comprar barato se a empresa não tem fôlego para atravessar a turbulência.' A fala reflete a cautela generalizada entre gestores, que evitam exposição a setores como construção civil, siderurgia e varejo de bens duráveis, mais sensíveis ao ciclo econômico.

Estratégias de proteção em alta

Com a incerteza sobre os rumos da economia, fundos multimercado e gestoras independentes têm ampliado o uso de operações 'long-short', que combinam compra de ações subvalorizadas com venda de papéis sobrevalorizados. Isso permite mitigar perdas mesmo em cenários de queda generalizada. Segundo dados da Anbima, a categoria de fundos long-short registrou captação líquida de R$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre de 2025, alta de 15% ante o mesmo período do ano anterior.

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Seletividade como mantra

Para analistas, o preço baixo das ações cíclicas não é suficiente para justificar a entrada. 'É preciso olhar para a qualidade dos ativos, endividamento e capacidade de geração de caixa', afirma André Silva, economista-chefe da Gestora XP. Ele cita que empresas com baixo endividamento e contratos de longo prazo, como algumas do setor de energia e saneamento, estão mais protegidas. Já as expostas ao mercado interno, como varejistas e montadoras, devem sofrer com a demanda fraca.

Impacto no mercado acionário

O Ibovespa acumula queda de 4,5% no ano, pressionado principalmente pelas ações cíclicas. Papéis como da Gerdau e da MRV recuaram mais de 10% no período. Apesar disso, o múltiplo preço/lucro do índice está próximo da média histórica, indicando que o mercado já descontou parte do pessimismo. No entanto, a recuperação depende de sinais de reaquecimento da economia, o que ainda não se concretizou.

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