O presidente da Motiva, Carlos Andrade, afirmou nesta quarta-feira que o cenário macroeconômico e setorial não é convidativo para uma transação envolvendo a divisão de mobilidade urbana da empresa. A declaração foi dada durante teleconferência com analistas após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.
Contexto econômico desfavorável
Segundo Andrade, a alta taxa de juros e a incerteza política no Brasil reduziram o apetite de investidores por ativos de mobilidade. “O momento não é propício para negociar essa unidade. Os múltiplos estão pressionados e há pouca liquidez no mercado”, explicou. A divisão de mobilidade urbana responde por cerca de 15% do faturamento total da Motiva, que registrou receita de R$ 2,1 bilhões no trimestre.
Estratégia de desinvestimento
A Motiva vinha avaliando a venda parcial ou total da unidade desde o ano passado como parte de um plano de redução de dívidas. No entanto, Andrade destacou que a empresa não fará negócios em condições desfavoráveis. “Preferimos esperar um ambiente mais estável para maximizar o valor para os acionistas”, completou. A dívida líquida da companhia encerrou junho em R$ 4,5 bilhões, equivalente a 3,2 vezes o EBITDA.
O executivo também mencionou que a empresa está focada em melhorar a eficiência operacional da divisão, com cortes de custos e otimização de rotas. No segundo trimestre, a unidade de mobilidade urbana registrou margem EBITDA de 8%, abaixo da média histórica de 12%.
Perspectivas para o setor
Andrade projeta que o cenário só deve melhorar a partir de 2027, com a queda esperada da Selic e a retomada do crescimento econômico. “Estamos monitorando o mercado, mas não há pressa. A Motiva tem caixa suficiente para aguardar o momento certo”, afirmou. A empresa encerrou o trimestre com R$ 1,2 bilhão em disponibilidades.



