A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) divulgou nesta quarta-feira (4) um lucro líquido de R$ 410 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 89 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo aumento das vendas e pela desvalorização do real frente ao dólar, que beneficiou as exportações da companhia.
Desempenho operacional e receita
A receita líquida da CBA somou R$ 2,1 bilhões no trimestre, alta de 12% na comparação anual. O volume vendido de alumínio primário cresceu 5%, atingindo 110 mil toneladas, enquanto as vendas de produtos transformados avançaram 8%, para 85 mil toneladas. Segundo a empresa, a demanda aquecida nos setores de embalagens e transporte contribuiu para o desempenho.
O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 520 milhões, com margem de 24,8%, ante 18,2% no segundo trimestre de 2025. A melhora refletiu a combinação de maiores preços do alumínio na LME (Bolsa de Metais de Londres) e a eficiência operacional nas plantas de Alumínio e de Itapissuma (PE).
Impacto cambial e custos
A desvalorização do real, que acumulou alta de 9% frente ao dólar no trimestre, elevou a receita das exportações em termos nominais. No entanto, a empresa também registrou um efeito positivo de R$ 45 milhões em variações cambiais sobre dívidas em moeda estrangeira, contribuindo para o lucro líquido.
Os custos de produção, por outro lado, apresentaram leve alta de 3%, pressionados pelo custo da energia elétrica em contratos de curto prazo. A companhia, que possui 100% de autoprodução de energia via hidrelétricas, minimizou o impacto, mas ainda depende de compras no mercado spot em períodos de estiagem.
Perspectivas e investimentos
Com o resultado positivo, a CBA reforçou sua projeção de investimentos de R$ 1,2 bilhão para 2026, focados na expansão da capacidade de reciclagem e na modernização das plantas. O presidente da companhia, Ricardo Carvalho, afirmou em teleconferência que “o segundo trimestre demonstra a solidez do nosso modelo de negócios e a capacidade de capturar oportunidades mesmo em um cenário de volatilidade”.
A empresa também anunciou a distribuição de dividendos no valor de R$ 150 milhões, a serem pagos em setembro, sujeitos à aprovação do conselho. A ação da CBA (CBAV3) fechou o dia em alta de 2,3% na B3, cotada a R$ 18,40.
Contexto do setor
O setor de alumínio no Brasil tem se beneficiado da recuperação da economia global, especialmente da demanda chinesa por alumínio primário. A CBA, controlada pela Votorantim, é a maior produtora de alumínio do país, com capacidade de 570 mil toneladas por ano. No acumulado do primeiro semestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 720 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 45 milhões de igual período de 2025.
Especialistas do mercado, como o analista da XP Investimentos, Pedro Faria, destacam que “a CBA está colhendo os frutos de sua estratégia de verticalização e de foco em produtos de maior valor agregado”. No entanto, ele alerta para os riscos de uma possível desaceleração da economia global no segundo semestre, que poderia pressionar os preços do alumínio.



