O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) adiou o leilão da marca Nutrella, dando um prazo final para a Bimbo comprovar que encontrou um novo comprador para a marca. A decisão foi tomada em meio a um impasse sobre a venda dos ativos, que faz parte do acordo de cessão de um dos maiores produtores de pão de forma do país.
Contexto do impasse
A Bimbo, gigante mexicana de panificação, adquiriu a Nutrella em 2021, mas o Cade impôs condições para aprovar a operação, incluindo a venda da marca para um concorrente viável. A empresa tentou vender a Nutrella para a Wickbold, mas o negócio não foi concretizado. Com isso, o Cade determinou que a Bimbo realizasse um leilão para alienar a marca.
O leilão estava marcado para ocorrer em 16 de julho de 2026, mas foi adiado a pedido da Bimbo, que alega estar em negociações avançadas com um novo comprador. O Cade deu um prazo final de 30 dias para que a Bimbo comprove a existência de um comprador qualificado, sob pena de retomar o leilão.
Detalhes da decisão do Cade
O conselheiro relator do caso, Gustavo Augusto, acolheu o pedido da Bimbo e suspendeu o leilão por 30 dias. Segundo a decisão, a Bimbo deve apresentar ao Cade, nesse período, um contrato de compra e venda assinado com um novo comprador, além de comprovar que o comprador tem capacidade financeira e técnica para operar a marca.
“A Bimbo deverá comprovar a existência de um comprador apto a adquirir a Nutrella, sob pena de o leilão ser retomado imediatamente”, afirmou o conselheiro em sua decisão.
Impacto no mercado
A Nutrella é uma das marcas mais tradicionais de pão de forma no Brasil, com presença nacional. A indefinição sobre seu futuro preocupa o setor, que teme concentração de mercado. Atualmente, a Bimbo detém cerca de 40% do mercado de pão de forma, e a venda da Nutrella para um concorrente forte poderia equilibrar a concorrência.
Especialistas apontam que, se a Bimbo não conseguir vender a marca, o Cade pode impor multas ou até mesmo exigir a desistência da compra da Nutrella. “O Cade está sendo rigoroso para garantir que a concorrência seja preservada”, disse um analista de mercado.
Próximos passos
A Bimbo agora corre contra o tempo para fechar o negócio. A empresa não revelou quem seria o potencial comprador, mas especula-se que sejam empresas como a Wickbold ou a Panco. O Cade deve analisar a documentação apresentada e decidir se o comprador é adequado. Caso a Bimbo falhe, o leilão será retomado e a marca poderá ser vendida a qualquer interessado.
O adiamento do leilão dá um fôlego para a Bimbo, mas também aumenta a pressão sobre a empresa. O prazo final é de 30 dias, e o Cade promete ser célere na análise.



