A montadora chinesa BYD apresentou nesta quarta-feira (4) o primeiro carro híbrido flex do mundo, desenvolvido especialmente para o mercado brasileiro. O modelo, batizado de Song Pro DM-i, chega às concessionárias em setembro com preço inicial de R$ 199.800. O anúncio foi feito em evento em São Paulo, com a presença de executivos da empresa e do governo estadual.
Características do veículo
O Song Pro DM-i combina um motor 1.5 aspirado flex de 110 cv com um motor elétrico de 163 cv, totalizando 273 cv de potência. A bateria de 18,3 kWh permite rodar até 100 km no modo 100% elétrico, e a autonomia total chega a 1.200 km com tanque cheio e bateria carregada. O consumo médio é de 38 km/l na estrada com etanol, segundo dados da fabricante.
O veículo possui central multimídia de 15,6 polegadas, piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, e sistema de estacionamento automático. A garantia é de 6 anos para o veículo e 8 anos para a bateria.
Produção em Camaçari
A BYD investiu R$ 3 bilhões na fábrica de Camaçari, na Bahia, que iniciou a produção do modelo em julho. A unidade tem capacidade para produzir 150 mil veículos por ano e gerou 5 mil empregos diretos. O governo da Bahia estima que a fábrica contribua com R$ 1,2 bilhão em impostos anuais.
"Este é um marco para a indústria automotiva brasileira. O híbrido flex é uma solução que aproveita a nossa infraestrutura de etanol e acelera a transição energética", afirmou o vice-presidente da BYD no Brasil, Bruno Pacheco, durante o evento.
Estratégia da empresa
A BYD pretende vender 30 mil unidades do Song Pro DM-i no primeiro ano. A meta é que os híbridos flex representem 40% das vendas da marca no país até 2027. A empresa também planeja lançar outros três modelos híbridos flex até 2026, incluindo um sedã e dois SUVs.
O lançamento ocorre em um momento de crescimento das vendas de eletrificados no Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de veículos híbridos e elétricos cresceram 210% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 89 mil unidades.
Impacto no mercado
Analistas do setor avaliam que o híbrido flex pode acelerar a adoção de veículos eletrificados no país, pois reduz o custo de aquisição em relação aos elétricos puros e aproveita a rede de postos de etanol. "O etanol é uma vantagem competitiva do Brasil. A BYD entendeu isso e está capitalizando", disse Ricardo Almeida, consultor da JATO Dynamics.
O preço de R$ 199.800 coloca o modelo em concorrência direta com SUVs médios a gasolina, como o Toyota Corolla Cross (R$ 189.990) e o Honda ZR-V (R$ 209.900). A BYD oferece ainda um plano de assinatura de bateria por R$ 299 mensais, que garante a troca da bateria após 8 anos.
Próximos passos
A empresa já confirmou que o modelo será vendido em todas as 120 concessionárias da marca no Brasil. Além disso, a BYD planeja exportar o Song Pro DM-i para outros países da América Latina, como Argentina, Colômbia e México, a partir de 2027.
Para o governo federal, o lançamento reforça a política de incentivo à indústria automotiva, que prevê redução de IPI para veículos com tecnologia flex híbrida. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estima que a fabricação de híbridos flex possa gerar 20 mil empregos diretos no país até 2030.



