O Brasil deu início a um projeto piloto inovador que paga consumidores para reduzirem o uso de eletricidade em momentos de alta demanda. A iniciativa, coordenada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), busca testar a viabilidade de um programa de resposta da demanda no país.
Como funciona o programa
No teste, grandes consumidores industriais e comerciais são convidados a diminuir voluntariamente seu consumo de energia em horários pré-determinados, geralmente entre 18h e 21h, quando a demanda atinge o pico. Em troca, recebem uma compensação financeira calculada com base na quantidade de energia economizada. O valor pago por megawatt-hora (MWh) não divulgado oficialmente, mas estima-se que seja superior ao preço da energia no mercado spot.
Segundo o ONS, a redução total esperada durante o período de teste é de 200 MW, o equivalente ao consumo de uma cidade de médio porte. O projeto conta com a participação de 15 empresas de setores como siderurgia, química e papel e celulose.
Impactos no sistema elétrico
A medida visa evitar o acionamento de usinas termelétricas mais caras e poluentes nos horários de pico, reduzindo custos operacionais e emissões de gases de efeito estufa. Além disso, alivia a pressão sobre a rede de transmissão, diminuindo o risco de apagões. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou: "Este teste é um passo importante para modernizar o setor elétrico brasileiro, tornando-o mais eficiente e flexível."
Especialistas apontam que, se bem-sucedido, o programa pode ser expandido para consumidores residenciais, com o uso de medidores inteligentes. A economia estimada para o sistema pode chegar a R$ 1 bilhão por ano, caso a redução voluntária seja adotada em larga escala.
Contexto e desafios
O Brasil já possui experiência com programas de resposta da demanda em outros países, mas esta é a primeira vez que um teste é realizado de forma estruturada no país. O projeto piloto terá duração de seis meses e será avaliado quanto à adesão dos participantes, eficácia na redução de picos e custo-benefício.
Desafios incluem a necessidade de infraestrutura de medição e comunicação em tempo real, bem como a conscientização dos consumidores. O ONS prevê que, com a digitalização da rede, programas como este se tornarão comuns nos próximos anos.



