Bradsaúde: lucro sobe, ações caem 9% com sinistralidade
Bradsaúde: lucro sobe, ações caem 9% com sinistralidade

A operadora de planos de saúde Bradsaúde divulgou nesta quarta-feira (4) seus resultados do segundo trimestre, apresentando um aumento de 12% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o mercado reagiu negativamente, com as ações da companhia caindo mais de 9% na bolsa brasileira, refletindo a preocupação dos investidores com a elevação da sinistralidade, que atingiu 86,5% no trimestre.

Lucro em alta, mas sinistralidade preocupa

O lucro líquido da Bradsaúde somou R$ 320 milhões no segundo trimestre, contra R$ 285 milhões no mesmo período de 2025, um crescimento de 12,3%. A receita da operadora também avançou, impulsionada pelo reajuste de mensalidades e pelo aumento no número de beneficiários. No entanto, o índice de sinistralidade – que mede a proporção da receita utilizada para cobrir despesas assistenciais – subiu de 82,1% para 86,5% na comparação anual.

O aumento da sinistralidade foi atribuído pela empresa ao envelhecimento da carteira, à maior utilização de procedimentos de alta complexidade e ao crescimento das internações por doenças respiratórias no período. Segundo a administração, a tendência é de estabilização no segundo semestre, mas o mercado demonstrou ceticismo.

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Reação do mercado e perspectivas

As ações da Bradsaúde fecharam em queda de 9,4%, cotadas a R$ 18,75, o menor nível em seis meses. Analistas do setor apontam que a sinistralidade acima de 85% é um sinal de alerta, pois pressiona as margens e pode levar a novos reajustes de preços, o que poderia afetar a competitividade da empresa. Em teleconferência com investidores, o diretor financeiro da companhia, Carlos Menezes, afirmou: "Estamos cientes do impacto da sinistralidade nos resultados e já implementamos medidas para conter custos, como a renegociação de contratos com hospitais e a ampliação de programas de prevenção."

A Bradsaúde mantém sua projeção de crescimento de receita entre 8% e 10% para o ano, mas o consenso do mercado é de que a pressão sobre os custos assistenciais deve continuar, especialmente com o avanço da vacinação e o retorno de procedimentos eletivos. A empresa também anunciou a abertura de 50 mil novos postos de trabalho indiretos no segundo semestre, mas o foco dos investidores permanece na trajetória da sinistralidade.

Impacto no setor de saúde suplementar

O resultado da Bradsaúde reflete uma tendência mais ampla no setor de planos de saúde, que enfrenta custos crescentes com a incorporação de novas tecnologias e o envelhecimento populacional. Especialistas apontam que a sinistralidade média do setor deve ficar em torno de 84% em 2026, acima dos 82% de 2025, o que pode levar a pressões regulatórias e a novos pedidos de reajuste à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para a Bradsaúde, a estratégia de curto prazo inclui a expansão de sua rede própria de atendimento e o investimento em telemedicina, visando reduzir custos e melhorar a eficiência. A empresa espera que essas iniciativas contribuam para reduzir a sinistralidade em 1,5 ponto percentual até o final do ano. No entanto, o mercado permanece cauteloso, e a recomendação de vários bancos é de manter os papéis em carteira apenas para investidores de longo prazo.

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