SÃO PAULO – As ações da Bradsaúde (SAUD3) operavam em forte queda de cerca de 10% na tarde desta terça-feira, após a companhia de planos de saúde e rede de hospitais do grupo Bradesco reportar um lucro líquido de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre, alta de quase 25% na comparação anual, mas com piora no índice de sinistralidade. O mercado reagiu negativamente à deterioração da qualidade operacional, mesmo com o resultado acima do esperado.
Lucro acima do esperado, mas sinistralidade preocupa
O índice de sinistralidade consolidado do grupo, criado no início do ano, subiu de 82,2% no segundo trimestre de 2025 para 83,8% nos três meses encerrados em junho de 2026. No acumulado do primeiro semestre, porém, a sinistralidade permaneceu estável em 81%, conforme balanço divulgado na segunda-feira, após o fechamento do mercado.
O analista Gustavo Tiseo, da XP, destacou que a empresa entregou um trimestre acima do esperado, com lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, superando as expectativas do mercado. No entanto, ele acrescentou que a surpresa positiva não decorreu de melhora na sinistralidade, mas sim de menores outras despesas operacionais, efeito positivo das provisões técnicas de saúde e resultado financeiro acima do esperado.
Próximos trimestres serão chave
Para Tiseo, o terceiro trimestre do ano será chave, com a evolução do MLR (Medical Loss Ratio, ou índice de sinistralidade) sendo determinante para avaliar se a companhia conseguirá manter níveis estáveis de sinistralidade na comparação anual. O analista reforçou em relatório a clientes que a tendência operacional precisa ser monitorada de perto.
Na bolsa paulista, por volta de 13h, as ações da Bradsaúde recuavam 9,88%, cotadas a R$ 14,50. Os papéis vinham de quatro altas seguidas, período em que acumularam valorização de 7,7%, antes da divulgação do balanço.
Citi vê argumentos para otimistas e pessimistas
Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi, apontaram que há argumentos para ambos os lados. “Os otimistas provavelmente destacarão o lucro divulgado, que, ao atingir um ritmo anualizado de R$ 4,2 bilhões nos últimos 12 meses até o segundo trimestre, pode sugerir risco de alta para nossa estimativa atual de R$ 4,3 bilhões de lucro em 2026. Já os pessimistas devem apontar para uma composição de resultados de menor qualidade, isto é, tendências operacionais subjacentes mais fracas compensadas por menores despesas e por resultados financeiros mais fortes”, escreveram.
Os analistas do Citi também destacaram que a comparabilidade limitada dos números pode dificultar uma interpretação mais clara dos resultados. “Dessa forma, acreditamos que a surpresa positiva no lucro já pode estar parcialmente refletida nos preços das ações”, concluíram.
Impacto no mercado e perspectivas
A queda acentuada das ações reflete a preocupação dos investidores com a sustentabilidade do resultado, dado que a melhora no lucro veio de fontes não recorrentes, como despesas menores e ganhos financeiros. A sinistralidade mais alta indica que os custos assistenciais continuam pressionando as margens da operadora.
Especialistas avaliam que, para o restante do ano, a Bradsaúde precisará demonstrar controle efetivo da sinistralidade, especialmente no terceiro trimestre, que costuma ser sazonalmente mais fraco para o setor de saúde. A companhia, que surgiu da união das operações de saúde do Bradesco, tem buscado sinergias, mas os desafios operacionais permanecem.
O mercado seguirá atento aos próximos balanços e à evolução do MLR, que será o principal indicador para medir a capacidade da empresa de manter lucros consistentes. Até lá, a volatilidade nos papéis deve continuar, com os investidores digerindo os números e as projeções dos analistas.



