O boom de construção de centros de dados nos Estados Unidos, impulsionado pela inteligência artificial, está atraindo eletricistas com salários recordes e gerando uma expansão sem precedentes nos programas de treinamento sindical. Em Warren, Michigan, o eletricista Tyler Shelton, de 29 anos, vê colegas sendo enviados para um enorme centro de dados da OpenAI em Saline Township, o maior investimento individual da história do estado. "Todo mundo quer esse dinheiro", disse Shelton durante pausa no treinamento, referindo-se às horas extras em jornadas de 10 horas, sete dias por semana.
Salários inflados e competição acirrada
De acordo com análise do Indeed, os empregos por hora em instalação e manutenção de centros de dados pagam 42% a mais do que funções similares em outros setores. Em mercados como Dallas e norte da Virgínia, a guerra de lances permite que trabalhadores troquem de emprego por bônus ou diárias mais altas. Marty Schager, diretor de mercado da recrutadora Aerotek, descreve uma "comunidade de candidatos passivos" aproveitando a "corrida do ouro de centros de dados que ocorre uma vez por geração".
Investimento em treinamento de nova geração
Empresas de tecnologia estão financiando a formação de mão de obra. O Google, por meio de um programa de US$ 50 milhões, pretende elevar o número anual de aprendizes de 19.500 para 30.000 nos próximos três anos, em parceria com a International Brotherhood of Electrical Workers (IBEW). Já a Meta destinou US$ 115 milhões para treinar 5 mil trabalhadores da construção civil em um curso de quatro semanas, com viagem e hospedagem pagas, segundo Joel Thames, vice-presidente da Associated Builders and Contractors.
Tensão entre sindicatos e empresas
Sean McGarvey, presidente da North America's Building Trades Unions, critica o programa da Meta como "um movimento brilhante de relações públicas", pois um mês de treinamento não substitui um aprendizado de quatro anos. Sua aliança gasta US$ 2,5 bilhões anualmente em formação continuada. A OpenAI, em março, comprometeu-se a trabalhar com sindicatos, garantindo que projetos usem mão de obra sindicalizada.
Impacto em outros setores
O boom dos centros de dados desvia recursos de outras áreas. Mario Iacobacci, da Oxford Economics, afirma: "Os recursos são limitados; construir uma coisa tira recursos de outra". A atividade em construção de escritórios nunca se recuperou da pandemia, enquanto habitação sofre com juros altos e energia eólica offshore enfrenta oposição política.
Ambivalência entre trabalhadores
A eletricista Starr Sciortino, 22, compara trabalhar em centros de dados a construir uma fábrica de armas. "Não acredito que nenhum tipo de dinheiro valha o sacrifício de recursos benéficos para as comunidades." Anthony Abrantes, do Conselho Regional dos Carpinteiros do Atlântico Leste, critica a indústria por não educar as comunidades, forçando os sindicatos a fazerem sua defesa.
O futuro dos aprendizes que se tornarão oficiais é incerto: poderão migrar para usinas nucleares ou fábricas farmacêuticas, mas dificilmente encontrarão algo na escala atual dos centros de dados.



