Cuidados com o cérebro desde a vida adulta promovem longevidade
Cérebro merece cuidado desde a vida adulta

Uma nova análise da Comissão Lancet sobre prevenção de demência revela que cerca de 40% dos casos da doença poderiam ser adiados ou evitados se cuidados com o cérebro começassem já na vida adulta. O dado reforça a importância de adotar hábitos saudáveis antes da terceira idade.

Fatores de risco modificáveis

Segundo o relatório, fatores como hipertensão, obesidade, tabagismo, sedentarismo e baixa estimulação cognitiva na meia-idade estão entre os principais riscos. A comissão atualizou a lista de fatores modificáveis, que agora inclui também o isolamento social e a poluição do ar.

A neurologista Carla Menezes, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica: “O cérebro não é um órgão estático. Ele se beneficia de estímulos contínuos e de um ambiente físico e social saudável. Pequenas mudanças na rotina, como caminhar 30 minutos por dia, podem reduzir em até 30% o risco de declínio cognitivo.”

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Exercícios e alimentação como pilares

A prática regular de atividade física é apontada como um dos pilares da saúde cerebral. Estudos mostram que exercícios aeróbicos aumentam o volume do hipocampo, região ligada à memória. Além disso, dietas como a mediterrânea — rica em vegetais, frutas, grãos integrais e gorduras boas — estão associadas a menor incidência de Alzheimer.

“Combinar atividades físicas com uma alimentação balanceada e controle do estresse é a estratégia mais eficaz”, afirma o geriatra Paulo Sérgio de Oliveira, autor do livro 'Envelhecimento Ativo'.

Treino cognitivo e socialização

Manter o cérebro ativo por meio de leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades e convívio social também é fundamental. A socialização, em particular, reduz o risco de demência em até 12%, de acordo com um estudo publicado no periódico Neurology.

Grupos de terceira idade que promovem encontros semanais têm mostrado melhores índices de cognição e humor. O psicólogo Rafael Costa, especialista em neuropsicologia, recomenda: “Não espere os 60 anos para começar. Quanto mais cedo você incorporar esses hábitos, maior a reserva cognitiva para a velhice.”

Políticas públicas e conscientização

A Comissão Lancet defende que governos implementem políticas que facilitem o acesso à alimentação saudável, áreas de lazer e programas de estimulação cognitiva. No Brasil, iniciativas como academias ao ar livre e centros de convivência já ajudam, mas especialistas pedem maior investimento em prevenção.

“O custo do tratamento da demência é altíssimo. Investir em prevenção desde a vida adulta é mais barato e mais humano”, conclui Carla Menezes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar