A BMW manteve suas projeções financeiras para o ano de 2026, apesar de uma forte queda no lucro operacional no segundo trimestre. A margem de lucro operacional da montadora alemã despencou 39 pontos percentuais, passando de 42,5% para 3,5% no período, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira. A empresa atribuiu o desempenho a custos mais altos com matérias-primas, logística e investimentos em eletrificação, além de problemas na cadeia de suprimentos que afetaram a produção.
Desempenho Financeiro no Segundo Trimestre
A receita do grupo no segundo trimestre cresceu 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 37,8 bilhões de euros. No entanto, o lucro operacional (EBIT) caiu drasticamente, refletindo a compressão das margens. O segmento automotivo, responsável pela maior parte das vendas, registrou margem EBIT de 3,5%, ante 42,5% no ano passado. A BMW explicou que o resultado excepcionalmente alto no segundo trimestre de 2025 foi impulsionado por ganhos não recorrentes com a reavaliação de participações em joint ventures, o que distorce a comparação.
Excluindo esses efeitos extraordinários, a margem operacional ajustada foi de 8,1%, ainda abaixo da meta de longo prazo de 8% a 10%. O CFO da BMW, Walter Mertl, afirmou: “Estamos mantendo nossa perspectiva para o ano inteiro, apesar do ambiente desafiador. Nossa estratégia de eletrificação e eficiência de custos continuará a dar suporte aos resultados.”
Projeções para 2026 Mantidas
A BMW confirmou que espera um crescimento moderado nas vendas para 2026, com foco em veículos elétricos. A empresa projeta que a margem EBIT do segmento automotivo fique entre 6% e 8% para o ano, considerando os investimentos em novas plataformas. A participação de veículos totalmente elétricos nas vendas deve chegar a 20% em 2026, ante 15% no primeiro semestre. “Estamos no caminho certo para atingir nossas metas de longo prazo, com uma ofensiva de produtos elétricos e medidas de redução de custos”, disse Mertl.
As ações da BMW caíram 2,3% na Bolsa de Frankfurt após o anúncio, refletindo a magnitude da queda no lucro operacional. Analistas do banco UBS afirmaram em nota que “os resultados do segundo trimestre foram fracos, mas a manutenção das projeções para o ano é um sinal de confiança na recuperação no segundo semestre”.
Desafios e Perspectivas
A montadora enfrenta pressões de custos crescentes, especialmente com baterias e semicondutores. A BMW também está investindo pesadamente em digitalização e na produção de veículos elétricos, o que pressiona as margens de curto prazo. No entanto, a empresa espera que a introdução de novos modelos, como o BMW i5 e o iX2, ajude a impulsionar as vendas. Além disso, a joint venture com a Great Wall Motor para produzir elétricos na China deve começar a contribuir a partir de 2027.
No mercado chinês, o maior do mundo, as vendas da BMW caíram 5% no segundo trimestre devido à concorrência acirrada de montadoras locais como BYD. A BMW planeja expandir sua linha de elétricos no país para reconquistar participação de mercado. “A China continua sendo um pilar estratégico, e estamos ajustando nossa oferta para atender à demanda local”, destacou o CFO.
Reação do Mercado
O mercado reagiu com cautela. O Credit Suisse manteve a classificação de “neutro” para as ações da BMW, citando a incerteza sobre a recuperação das margens. Já o Barclays elevou a recomendação para “compra”, argumentando que a queda atual não reflete o potencial de crescimento de longo prazo. A BMW reiterou que espera um fluxo de caixa livre de pelo menos 4 bilhões de euros em 2026, suportado por uma disciplina de capital.
Em resumo, a BMW enfrenta um trimestre difícil, mas mantém a confiança em sua estratégia. A queda de 39 pontos percentuais no lucro operacional foi atenuada pela receita crescente e pela perspectiva de melhora na segunda metade do ano.



