Propaganda de bets em painéis digitais na Paulista: 60 segundos
Bets dominam painéis digitais na Paulista

Uma pesquisa recente revelou que anúncios de casas de apostas esportivas, conhecidas como bets, dominam os painéis digitais da Avenida Paulista, em São Paulo. O levantamento, realizado pela organização Repórter Brasil, constatou que 60% do tempo de exibição de propaganda nesses equipamentos é ocupado por esse tipo de publicidade.

Dados da pesquisa

O estudo monitorou os painéis digitais localizados no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação durante um período de 24 horas. Nesse intervalo, foram contabilizados 1.440 anúncios, dos quais 864 eram de bets, o que corresponde a 60% do total. A pesquisa também apontou que as marcas mais frequentes foram a Betano, com 25% das inserções, e a Esportes da Sorte, com 20%.

De acordo com o levantamento, a propaganda de bets nos painéis da Paulista é exibida em intervalos curtos, geralmente de 15 segundos, mas em alta frequência, o que aumenta a exposição do público. A pesquisa destaca que a concentração desses anúncios em uma das avenidas mais movimentadas do país levanta preocupações sobre a influência no comportamento dos consumidores.

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Impacto e debate regulatório

A predominância de anúncios de bets na Paulista ocorre em um momento de intenso debate sobre a regulação do setor no Brasil. O governo federal sancionou uma lei que legaliza as apostas esportivas de quota fixa, mas ainda há discussões sobre restrições à publicidade. Segundo o advogado especialista em direito digital, João Pedro Lopes, “a exposição massiva a esses anúncios pode normalizar o jogo, especialmente entre jovens, o que exige uma regulamentação mais rígida sobre horários e locais de veiculação”.

A pesquisa também revela que, embora a legislação atual permita a publicidade de bets, ela impõe algumas exigências, como a inclusão de avisos sobre os riscos do jogo. No entanto, o estudo constatou que 30% dos anúncios exibidos nos painéis da Paulista não apresentavam essas mensagens de alerta, o que configura uma possível irregularidade.

Reações e próximos passos

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) informou que vai analisar os dados da pesquisa e pode abrir processos éticos contra as empresas que não cumprirem as normas. A entidade já recebeu denúncias de consumidores sobre a exposição excessiva de anúncios de bets em espaços públicos.

Por outro lado, as empresas de apostas defendem que seguem a legislação e que a publicidade é fundamental para o crescimento do setor. Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que “as empresas associadas cumprem rigorosamente as regras e que a publicidade é transparente, com alertas sobre os riscos”.

Contexto nacional

O fenômeno não é exclusivo da Avenida Paulista. Em outras capitais, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, também há relatos de alta concentração de anúncios de bets em painéis digitais e em estádios. Especialistas apontam que o investimento em publicidade das casas de apostas cresceu exponencialmente nos últimos anos, impulsionado pela popularização das apostas online.

Dados do setor indicam que as bets movimentaram cerca de R$ 12 bilhões no Brasil em 2023, e a expectativa é de crescimento para os próximos anos. A regulamentação completa do setor, prevista para entrar em vigor em 2025, deve trazer novas regras para a publicidade, incluindo limites de horário e a proibição de associação com menores de idade.

Próximos passos da pesquisa

A Repórter Brasil pretende ampliar o monitoramento para outras regiões da cidade e para outras mídias, como televisão e internet. A organização também planeja entregar os dados ao Ministério da Justiça e à Secretaria Nacional do Consumidor para que sejam tomadas as devidas providências.

Enquanto isso, a discussão sobre o impacto da publicidade de bets na sociedade continua. Para a psicóloga especialista em comportamento de consumo, Marina Silva, “a exposição constante a esses anúncios pode levar ao desenvolvimento de comportamentos de risco, principalmente entre os mais jovens, que são mais suscetíveis à influência da mídia”.

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