Um relatório do Morgan Stanley coloca a B3 (B3SA3) entre as operadoras de bolsa globais mais bem posicionadas para se beneficiar da evolução dos mercados financeiros rumo à tokenização de ativos e a uma infraestrutura de negociação contínua. O banco lista a companhia ao lado da Nasdaq, da London Stock Exchange Group (LSEG) e da Singapore Exchange (SGX) como potenciais vencedoras dessa transformação.
Características das vencedoras
Na avaliação da equipe de analistas liderada por Michael J. Cyprys, essas empresas compartilham a capacidade de gerar receitas além das atividades tradicionais de negociação, com forte presença em áreas como tecnologia, dados, soluções de fluxo de trabalho, gestão de garantias e infraestrutura de pós-negociação. No caso da B3, o destaque está no modelo verticalmente integrado, que reúne negociação, compensação, liquidação, custódia, registro e venda de dados em uma única plataforma. Segundo o Morgan Stanley, essa estrutura coloca a companhia em posição privilegiada para capturar valor em todas as etapas do ciclo de vida de ativos tokenizados.
Infraestrutura para ativos digitais
O banco destaca que a B3 vem acelerando a construção de sua infraestrutura para ativos digitais por meio de três iniciativas integradas: uma depositária central baseada em tecnologia de registro distribuído (DLT), uma plataforma de tokenização de valores mobiliários e uma stablecoin atrelada ao real para liquidação instantânea dentro do ecossistema da bolsa. A infraestrutura foi desenhada para permitir que ativos tradicionais e tokenizados coexistam e compartilhem a mesma liquidez, evitando a fragmentação do mercado. A stablecoin, por sua vez, funcionará como instrumento de liquidação e gestão de garantias dentro da própria B3, sem a proposta de atuar como meio de pagamento aberto ao público.
Preenchendo lacunas
Segundo o Morgan Stanley, a iniciativa também ajuda a preencher parte do espaço deixado pela decisão do Banco Central de descontinuar a plataforma blockchain do Drex, ampliando as possibilidades de emissão de ativos tokenizados, acesso a dados quase em tempo real e liquidação contínua entre diferentes classes de ativos.
Potencial de criação de valor
Para os analistas, a tokenização tende a beneficiar especialmente operadoras de mercado que controlam infraestrutura crítica. Nesse sentido, a B3 se diferencia por já possuir uma posição consolidada em toda a cadeia de serviços financeiros, o que reduz a necessidade de parcerias externas ou mudanças regulatórias significativas para avançar no novo modelo. O banco avalia que, se a estratégia for executada com sucesso, a tokenização poderá ampliar o mercado endereçável da companhia por meio da criação de novas classes de ativos, do aumento da velocidade de negociação e da expansão das receitas ligadas a dados e serviços de pós-negociação.
Comparação com pares globais
Além da B3, o Morgan Stanley cita a Nasdaq como destaque em tecnologia de mercados e gestão de colateral, a LSEG pela forte atuação em dados e infraestrutura de liquidação digital, e a SGX pela capacidade de compensação entre diferentes classes de ativos. Ainda assim, o relatório sugere que a bolsa brasileira está entre as empresas mais bem posicionadas para capturar os benefícios da próxima geração da infraestrutura financeira global.



