Aposentado transforma paixão por orquídeas em negócio de R$ 70 mil
Aposentado cria orquidário e espera faturar R$ 70 mil

João Batista Fonseca Borba tinha 57 anos e 45 de trabalho quando se aposentou, convencido de que finalmente teria uma rotina tranquila. A pausa, porém, foi curta. A pergunta que ronda muitos aposentados — "o que vou fazer agora?" — encontrou resposta em uma paixão antiga: as orquídeas.

Hoje, aos 70 anos, ele administra um orquidário de dois mil metros quadrados em Brasília, onde mantém cerca de 20 mil plantas. O espaço, construído ao longo de décadas, recebe clientes apaixonados por flores e movimenta um negócio que deve faturar R$ 70 mil neste ano.

Da coleção da mãe ao empreendimento

A relação com as orquídeas começou dentro de casa. Inspirado pela mãe, que cultivava flores, João passou a comprar exemplares para ela e também para si. Sem perceber, formava o estoque que, mais tarde, daria origem à empresa.

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Nascido em uma família que chegou a Brasília durante a construção da capital, João é filho de pedreiro e viu a cidade surgir do cerrado. Desde cedo, aprendeu a produzir alimentos para complementar a mesa da família. Apesar do vínculo com a terra, sua carreira seguiu outro caminho: formou-se em Administração e passou mais de três décadas no serviço público. A experiência em gestão, segundo ele, foi essencial para transformar o hobby em um negócio estruturado.

O orquidário nasceu há quase 15 anos e, desde então, se consolidou como referência para colecionadores e admiradores das plantas. No local, o cultivo é acompanhado de perto: cada muda recebe cuidados específicos, e João acompanha o ciclo de floração para garantir que os exemplares cheguem aos clientes no melhor estado.

Venda, aluguel e feiras

Além da venda direta, João participa de feiras e exposições e oferece um serviço inusitado: o aluguel de orquídeas para quem quer decorar ambientes sem a preocupação de manter as flores permanentemente. "Você não precisa matar a orquídea. Leva para casa, aproveita enquanto ela está florida e depois troca por outra", explica.

As plantas são comercializadas por valores que variam entre R$ 60 e R$ 250. Em média, cerca de 100 orquídeas são vendidas por mês, sem considerar os períodos de exposição. A operação também gera oportunidades de trabalho para colaboradores que ajudam na manutenção do espaço e nos eventos.

Clientes fiéis e rotina ativa

Entre os frequentadores do orquidário estão clientes que acompanham o negócio há uma década. Muitos retornam em datas especiais, como aniversários e Dia das Mães, em busca de novas espécies para presentear ou ampliar coleções. O movimento aumenta em épocas de festas, quando as flores se tornam opção de presente.

O sucesso do empreendimento, porém, não é medido apenas pelo faturamento. Para João, o maior retorno está no contato diário com as pessoas e na sensação de permanecer ativo. A rotina começa cedo, com irrigação, adubação e acompanhamento das plantas. Depois, ele segue para a academia antes de voltar ao viveiro para cuidar das atividades da tarde. A parte administrativa, segundo ele, continua sendo uma das tarefas mais simples, resultado dos anos dedicados à gestão.

Um novo propósito de vida

Ao olhar para a trajetória construída após a aposentadoria, João vê no negócio muito mais do que uma fonte de renda extra. O orquidário tornou-se um novo propósito de vida. "Eu estou vivo", resume.

Para ele, o contato com as plantas e com os clientes mantém a energia e o entusiasmo. A história de João Batista, que começou com uma simples coleção em casa, mostra que recomeços também podem florescer depois dos 60 anos. O orquidário fica na Rodovia BR 020, km 11, em Brasília, e segue de portas abertas para quem deseja conhecer o trabalho de perto.

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