Empresas brasileiras estão cada vez mais utilizando análise avançada de dados para orientar suas decisões estratégicas. Segundo um estudo recente da McKinsey & Company, 80% das grandes corporações no Brasil já adotaram ferramentas de Big Data e inteligência artificial (IA) para otimizar processos e identificar novas oportunidades de negócio.
Crescimento impulsionado por tecnologia
O levantamento, realizado entre janeiro e março de 2026, entrevistou 200 executivos de empresas com faturamento acima de R$ 500 milhões. Os resultados indicam que a adoção de análise avançada de dados cresceu 35% em relação ao ano anterior, impulsionada pela queda nos custos de armazenamento e processamento, além da maturidade de soluções de IA generativa.
“Os dados são o novo petróleo, e as empresas que souberem refiná-los terão vantagem competitiva significativa”, afirmou Carlos Alberto, sócio-líder de Analytics da McKinsey no Brasil. Ele ressalta que a análise preditiva permite antecipar tendências de mercado e comportamentos de consumo.
Impacto em setores-chave
Entre os setores que mais investem em análise avançada estão o financeiro, com destaque para bancos como Itaú Unibanco e Bradesco, que utilizam modelos de crédito baseados em machine learning. No varejo, empresas como Magazine Luiza e Mercado Livre empregam algoritmos para personalizar ofertas e gerenciar estoques. Já na indústria, a Petrobras utiliza análise de dados para otimizar a produção de petróleo e gás.
O estudo também revela que a análise de dados reduziu em 25% os custos operacionais médios das empresas que a implementaram integralmente. Além disso, 60% dos executivos relataram aumento na receita decorrente de insights gerados por dados.
Desafios na implementação
Apesar dos benefícios, a implementação enfrenta desafios. A escassez de profissionais qualificados é apontada por 45% dos entrevistados como o principal obstáculo. A integração de sistemas legados e a qualidade dos dados também são barreiras comuns. “É fundamental investir em governança de dados e capacitação das equipes”, destacou Ana Paula, diretora de Transformação Digital do Grupo Pão de Açúcar.
A segurança dos dados é outra preocupação. Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as empresas precisam garantir que o uso analítico esteja em conformidade com as regulamentações.
Perspectivas futuras
O estudo projeta que até 2028, 90% das grandes empresas brasileiras terão centros de excelência em dados. A inteligência artificial explicável e a automação de processos robóticos (RPA) devem se integrar ainda mais às plataformas de análise. “A tendência é que a análise de dados se torne tão comum quanto a contabilidade financeira”, concluiu Carlos Alberto.
Com a evolução da tecnologia, a análise avançada de dados deixa de ser diferencial para se tornar requisito básico de competitividade. As corporações que não se adaptarem correm o risco de perder espaço no mercado.



