A Amazon alcançou um marco histórico ao atingir US$ 3 trilhões em valor de mercado na bolsa de valores norte-americana. O feito foi registrado nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, com as ações da companhia subindo 2,3% no pregão, fechando a US$ 215,40. A valorização reflete a confiança dos investidores no potencial de crescimento da empresa, especialmente nos segmentos de computação em nuvem e inteligência artificial.
Impulso da inteligência artificial
O avanço da Amazon é atribuído principalmente ao forte desempenho de sua unidade de nuvem, a AWS, que tem se beneficiado da crescente demanda por serviços de inteligência artificial. A empresa anunciou recentemente investimentos bilionários em data centers e no desenvolvimento de chips próprios para IA, o que tem atraído a atenção do mercado.
Segundo analistas da gestora BlackRock, a AWS deve crescer 25% ao ano nos próximos três anos, impulsionada pela adoção de IA generativa por empresas de todos os setores. "A Amazon está na vanguarda da revolução da IA, e isso se reflete no preço de suas ações", afirma Ricardo Zeno, analista sênior da corretora XP Investimentos.
Comparação com outras big techs
Com o novo marco, a Amazon se junta ao seleto grupo de empresas avaliadas em US$ 3 trilhões, que inclui Apple, Microsoft e Nvidia. A companhia, que já foi a mais valiosa do mundo em 2020, agora ocupa a quarta posição no ranking global, atrás da Nvidia (US$ 3,5 trilhões), Apple (US$ 3,4 trilhões) e Microsoft (US$ 3,2 trilhões).
O valor de mercado da Amazon representa um aumento de 15% no acumulado do ano, superando o desempenho do índice S&P 500, que subiu 8% no mesmo período. A empresa também superou as expectativas de lucro no segundo trimestre, com um lucro líquido de US$ 18 bilhões, alta de 35% em relação ao ano anterior.
Impacto no varejo e na logística
Além da nuvem, o varejo online e a logística da Amazon também têm contribuído para o crescimento. A empresa expandiu sua rede de entregas em 20% no último ano, reduzindo os prazos de entrega e aumentando a eficiência operacional. O segmento de publicidade digital também registrou receita recorde de US$ 15 bilhões no trimestre, alta de 30%.
Especialistas alertam, no entanto, para possíveis riscos regulatórios e de concorrência. O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre as práticas comerciais da Amazon, especialmente em relação a pequenos vendedores. "Apesar do otimismo, a empresa enfrenta desafios significativos que podem impactar sua trajetória", pondera Maria Fernanda Alves, professora de economia digital da FGV.
Perspectivas futuras
A Amazon projeta investir US$ 150 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA até 2030, o que deve sustentar seu crescimento no longo prazo. A empresa também planeja expandir sua atuação em mercados emergentes, como Índia e Brasil, onde a demanda por e-commerce e serviços digitais está em alta.
Para o terceiro trimestre, a companhia espera uma receita entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões, acima das estimativas dos analistas. O mercado reage positivamente, e as ações da Amazon devem continuar em alta nos próximos meses, segundo projeções de bancos como Goldman Sachs e Morgan Stanley.



