A Air France-KLM anunciou nesta quarta-feira uma redução em sua projeção de capacidade para o ano de 2026, ao mesmo tempo em que reportou uma queda de 71% no lucro líquido do segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu o desempenho ao aumento dos custos operacionais, especialmente com combustível e mão de obra, além da pressão competitiva no setor aéreo europeu.
Projeção de capacidade revisada para baixo
A companhia aérea franco-holandesa afirmou que agora espera que sua capacidade, medida em assentos-quilômetro oferecidos (ASK), atinja apenas 95% dos níveis pré-pandemia de 2019, ante a previsão anterior de 98%. A revisão reflete uma estratégia de redução de voos em rotas de curta distância na Europa, onde a concorrência de companhias de baixo custo, como Ryanair e easyJet, tem pressionado as margens.
Segundo o comunicado oficial, a decisão também leva em conta a lentidão na recuperação da demanda por viagens corporativas, que ainda não retornou aos patamares de 2019. A expectativa é que a capacidade total do grupo para 2026 fique entre 94% e 96% dos níveis pré-crise, dependendo das condições do mercado.
Resultados financeiros do segundo trimestre
No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido da Air France-KLM somou € 200 milhões, contra € 690 milhões no mesmo período de 2025 – uma queda de 71 pontos percentuais. A receita total caiu 8%, para € 7,2 bilhões, enquanto os custos operacionais aumentaram 12%, impulsionados pelo preço do querosene e por reajustes salariais acordados com sindicatos de pilotos e comissários.
O resultado operacional (EBIT) recuou 45%, para € 450 milhões, com a margem operacional caindo de 10% para 6,2%. A empresa destacou que, ajustado por efeitos não recorrentes, o lucro líquido teria sido de € 250 milhões, ainda assim bem abaixo do registrado um ano antes.
Impactos na estratégia e no mercado
Em resposta aos números fracos, a Air France-KLM anunciou um plano de contenção de custos que inclui a redução de 5% nos gastos administrativos e a renegociação de contratos com fornecedores. A empresa também pretende acelerar a renovação da frota com aeronaves mais eficientes, como o Airbus A321XLR, para reduzir o consumo de combustível em rotas de longo curso.
As ações da Air France-KLM caíram 5,5% na Bolsa de Paris após o anúncio, refletindo a decepção dos investidores com as perspectivas. Analistas do setor avaliam que a companhia enfrenta desafios estruturais, como a concorrência asiática e a volatilidade do preço do petróleo. “A redução da capacidade mostra que a empresa está sendo cautelosa, mas o mercado esperava uma recuperação mais robusta”, afirmou um analista do banco BNP Paribas, em nota.
Perspectivas para o restante de 2026
Para o terceiro trimestre, a Air France-KLM projeta uma capacidade entre 96% e 98% dos níveis de 2019, impulsionada pela alta temporada de verão no hemisfério norte. No entanto, a empresa alertou que a demanda por viagens de lazer pode arrefecer no quarto trimestre, impactando os resultados anuais. A meta de margem operacional para o ano foi reduzida de 12% para 10%.
A companhia também anunciou a suspensão temporária de algumas rotas de longa distância para a América Latina e a Ásia, devido à baixa rentabilidade. A estratégia de alianças com outras empresas, como a Delta Air Lines e a Virgin Atlantic, será intensificada para otimizar a ocupação dos voos.



