Vale-refeição cobre apenas nove dias úteis e brasileiro paga 101% a mais
Vale-refeição cobre 9 dias; trabalhador paga 101% a mais

Cobertura insuficiente do vale-refeição

O vale-refeição, benefício concedido por muitas empresas a seus funcionários, cobre em média apenas nove dias úteis por mês, segundo dados recentes. Isso significa que, para o restante dos dias, o trabalhador precisa arcar com os custos da alimentação diretamente do próprio bolso. A situação se agrava com o aumento dos preços dos alimentos e a inflação, que fazem com que o valor do benefício perca poder de compra.

Impacto no orçamento do trabalhador

Com a cobertura limitada a menos da metade dos dias úteis (considerando uma média de 22 dias úteis por mês), o trabalhador brasileiro já desembolsa 101% a mais do que o valor recebido no vale-refeição para garantir suas refeições. Esse gasto extra compromete significativamente o orçamento familiar, especialmente para aqueles com rendas mais baixas. A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE mostra que a alimentação é um dos principais itens de despesa das famílias brasileiras, e qualquer aumento nesse custo tem impacto direto na qualidade de vida.

Causas e perspectivas

Especialistas apontam que a defasagem do vale-refeição está relacionada à inflação dos alimentos, que superou os reajustes do benefício nos últimos anos. Além disso, a legislação trabalhista, que regula o valor mínimo do vale-refeição, não acompanha a alta dos preços. As entidades representativas dos trabalhadores pressionam por reajustes automáticos e pela ampliação da cobertura, mas as negociações com o setor patronal têm sido lentas. Enquanto isso, o brasileiro continua arcando com a maior parte dos custos de sua alimentação fora de casa, um peso que pode chegar a comprometer até 30% da renda mensal em alguns casos.

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