OIT aprova convenção histórica para proteger trabalhadores de plataformas
OIT aprova convenção histórica sobre trabalho em plataformas

Um novo marco global foi estabelecido para orientar países na adoção de políticas de proteção social voltadas aos trabalhadores da economia de plataformas. A 114.ª sessão da Conferência Internacional do Trabalho, realizada em junho em Genebra, aprovou a Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre trabalho na economia de plataformas. Até então, não existia qualquer padrão internacional que guiasse nações a garantir condições mínimas para motoristas, entregadores, prestadores de serviços freelance e outras formas de trabalho mediado por tecnologia.

Equilíbrio e flexibilidade

O aspecto mais notável da Convenção 193 é o equilíbrio alcançado. O texto não impõe um modelo único global, mas reconhece que a economia de plataformas abriga diferentes formas de trabalho: relações de emprego, trabalho autônomo e outras categorias previstas nas legislações nacionais. Todas merecem respeito e proteção adequados. A convenção não estabelece preferência entre emprego formal e trabalho independente, nem presume vínculo empregatício. De forma deliberada, deixa margem para que cada país implemente suas disposições de acordo com sua realidade jurídica e mercado de trabalho.

Essa abordagem não é um detalhe técnico, mas uma escolha política fundamental. A convenção aposta na inteligência dos sistemas nacionais para encontrar soluções adaptadas a cada contexto, evitando resolver de Genebra questões que devem ser tratadas internamente.

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O Brasil na vanguarda

No Brasil, o país está na vanguarda desse debate. Nos últimos anos, foram discutidas formas de regulamentar o trabalho por aplicativos. Os Projetos de Lei Complementar 12/2024 e 152/2025 são exemplos. Ambos buscam garantir direitos mínimos aos trabalhadores, preservando a natureza autônoma do trabalho intermediado por plataformas, em linha com a Convenção 193 da OIT. Segundo o autor, as discussões no Brasil já concretizam muito do que foi discutido em Genebra.

Impacto global e diversidade

A economia de plataformas é um dos fenômenos mais transformadores do trabalho nas últimas décadas. Centenas de milhões de pessoas em todo o mundo trabalham por meio de aplicativos, em condições que os sistemas tradicionais de proteção social não foram desenhados para atender. Ignorar isso seria uma omissão histórica, e regulá-lo mal poderia sufocar um dos maiores vetores de geração de oportunidades.

Para muitos, o trabalho por plataformas oferece flexibilidade e possibilidade de conciliar outras atividades, responsabilidades familiares ou fontes de renda. Para outros, é a primeira porta de entrada no mercado de trabalho. Empreendedores e profissionais independentes ganharam acesso a clientes e mercados antes inalcançáveis. Em vários países, o modelo tem apoiado maior participação econômica de mulheres, jovens e grupos historicamente sub-representados. A Convenção 193 reconhece explicitamente a contribuição da economia de plataformas ao desenvolvimento econômico e social, mostrando que proteção e oportunidade não são opostos.

Pontos rejeitados e o futuro

Além do que foi incluído, é importante destacar o que foi discutido e rejeitado. A presunção de vínculo de emprego, a revisão humana de todas as decisões automatizadas e a transparência absoluta dos algoritmos foram exaustivamente debatidas e rejeitadas. Isso não ocorreu por imposição, mas pelo reconhecimento de que tais elementos são inerentes ao modelo e que informações comercialmente sensíveis devem ser preservadas.

No Brasil, as principais iniciativas legislativas já refletem essa realidade. O trabalho intermediado por plataformas é visto como autônomo, flexível, com características específicas e sem subordinação entre plataformas e trabalhadores. O sucesso da convenção será medido pela capacidade dos países de internalizar corretamente as discussões e regulamentar a relação, ajudando trabalhadores a acessar oportunidades de renda, apoiando o empreendedorismo, estimulando a inovação e permitindo que a economia de plataformas continue promovendo inclusão econômica e crescimento. O Brasil já avançou nesse sentido e não partirá do zero.

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