O Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta uma situação paradoxal em seu eleitorado, com tendências opostas no Nordeste e no Sudeste do país. Segundo o colunista Merval Pereira, em sua coluna no jornal O Globo, o partido "desmelhora" no Nordeste, região historicamente seu principal reduto, enquanto "despiora" no Sudeste, onde tradicionalmente encontrava mais resistência.
A dicotomia do PT
De acordo com Pereira, essa dualidade reflete uma transformação no perfil do eleitor petista. "O PT hoje vive uma dicotomia", escreveu o colunista. Enquanto perde terreno em estados como Bahia, Pernambuco e Ceará, onde sempre obteve votação expressiva, o partido consegue melhorar seu desempenho em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, embora ainda esteja longe de alcançar a hegemonia nessas regiões.
Nordeste: perda de hegemonia
No Nordeste, o PT enfrenta uma erosão de sua base tradicional. As últimas eleições mostraram uma redução na vantagem do partido em relação a adversários, especialmente em áreas urbanas e entre eleitores mais jovens. Embora a região ainda seja favorável ao PT, a tendência de queda preocupa a cúpula partidária. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, nos pleitos presidenciais, a diferença percentual entre Lula e seus oponentes no Nordeste diminuiu entre 2018 e 2022, passando de 38 pontos percentuais para 32 pontos.
Sudeste: recuperação lenta
Por outro lado, no Sudeste, o PT tem conseguido "despiorar", ou seja, reduzir a rejeição e ampliar sua votação. Embora ainda esteja atrás de seus adversários, a diferença vem se estreitando. Em São Paulo, por exemplo, o partido obteve 35% dos votos válidos no segundo turno de 2022, um aumento de 5 pontos percentuais em relação a 2018. Segundo analistas, essa melhora se deve à penetração do partido em áreas metropolitanas e ao voto de setores mais escolarizados.
Impacto para as eleições futuras
A dicotomia descrita por Merval Pereira pode ter implicações significativas para a estratégia do PT nas próximas eleições. O partido precisará equilibrar esforços para reverter a tendência de queda no Nordeste, ao mesmo tempo em que tenta consolidar o crescimento no Sudeste. A análise sugere que o eleitorado brasileiro está em transformação, e o PT precisa se adaptar a essa nova realidade para se manter competitivo.
Neologismos revelam tendências
Os termos "desmelhora" e "despiora" foram utilizados pelo colunista para descrever as tendências opostas. "Desmelhorar" indica uma piora em algo que antes era bom – no caso, a força do PT no Nordeste. Já "despiorar" significa melhorar a partir de uma situação ruim – a lenta recuperação no Sudeste. Essa escolha de palavras reflete a sutileza da análise política, que evita exageros e aponta mudanças graduais.
O contexto da foto
A imagem que ilustra a coluna mostra o presidente Lula ao lado de Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos, simbolizando as diferentes correntes políticas que o PT precisa enfrentar em cada região. Enquanto no Nordeste a concorrência é com partidos de centro e direita, no Sudeste o PT disputa espaço com bolsonaristas e governadores de oposição.
A coluna de Merval Pereira, disponível para assinantes, oferece uma visão detalhada dos números e tendências. A dicotomia evidenciada pelo colunista reforça a complexidade do cenário político brasileiro, onde nenhuma região é mais um bastião inabalável para nenhum partido.



