A taxa de desemprego no Brasil recuou para 8,3% no trimestre encerrado em junho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa queda de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (8,8%) e de 1,0 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025 (9,3%). O movimento foi puxado tanto pelo aumento da ocupação de pessoas que estavam desempregadas quanto pela entrada de indivíduos que estavam fora da força de trabalho.
Expansão da ocupação e retorno ao mercado
De acordo com o IBGE, o número de pessoas ocupadas no país alcançou 99,8 milhões, crescimento de 1,2% no trimestre e de 2,5% no ano. Já a população desempregada caiu para 8,7 milhões, redução de 5,4% em relação aos três meses anteriores. Paralelamente, a população fora da força de trabalho — aqueles que não trabalham nem procuram emprego — diminuiu 0,8%, para 67,4 milhões, indicando que mais pessoas voltaram a buscar colocação ou se inseriram no mercado.
"A queda da taxa de desemprego reflete tanto a melhora na absorção de trabalhadores desempregados quanto o retorno de pessoas que estavam fora da força de trabalho ao mercado, ampliando a oferta de mão de obra", afirmou o coordenador da pesquisa do IBGE. Ele destacou que o fenômeno é positivo, mas exige atenção para a qualidade das vagas geradas.
Renda e setores em destaque
O rendimento real habitual médio dos ocupados ficou em R$ 3.218, alta de 1,8% no trimestre e de 3,1% em 12 meses. A massa de rendimento real habitual somou R$ 316,8 bilhões, recorde da série histórica. Setores como serviços domésticos, construção e indústria puxaram a geração de postos de trabalho. No setor de serviços, houve acréscimo de 0,7% no número de ocupados.
A taxa de subutilização da força de trabalho — que inclui desemprego, subocupação por insuficiência de horas e força de trabalho potencial — caiu para 17,6%, ante 18,5% no trimestre anterior. Segundo o IBGE, o indicador mostra que a melhora no mercado de trabalho tem sido disseminada, embora ainda haja desafios estruturais, como a informalidade, que atinge 38,9% dos ocupados.
Diferenças regionais e informalidade
Entre as grandes regiões, o Nordeste apresentou a maior taxa de desemprego, com 11,5%, embora tenha recuado 0,4 ponto percentual no trimestre. O Sul registrou a menor taxa, 5,2%, seguido pelo Sudeste (7,8%). No Centro-Oeste, a taxa caiu para 6,1%, e no Norte, para 9,4%. O IBGE aponta que a recuperação tem sido mais lenta em regiões com maior dependência de programas sociais e economia informal.
A informalidade, medida pela proporção de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado e conta própria sem CNPJ, ficou em 38,9%, estável em relação ao trimestre anterior. O número de empregados com carteira assinada chegou a 37,2 milhões, alta de 1,1% no período, enquanto os trabalhadores por conta própria somaram 25,6 milhões, crescimento de 0,9%. O IBGE destaca que a formalização ainda é um desafio, especialmente para jovens e mulheres.
Perspectivas e desafios
Economistas avaliam que a trajetória de queda do desemprego deve continuar nos próximos meses, impulsionada pelo crescimento econômico e pela retomada de investimentos. No entanto, alertam para a necessidade de políticas que promovam a formalização e a qualificação profissional. O IBGE ressalta que os dados reforçam a importância de monitorar tanto a quantidade quanto a qualidade dos postos de trabalho gerados.
O levantamento completo da Pnad Contínua para o trimestre encerrado em junho está disponível no site do IBGE e traz detalhes por regiões e setores.



