84,7% dos paulistas preferem home office híbrido a 50% de aumento
84,7% preferem home office híbrido a 50% de aumento em SP

Uma oferta de salário 50% maior não é suficiente para convencer a maioria dos profissionais paulistas a voltar ao escritório em tempo integral. É o que aponta levantamento obtido com exclusividade pelo Estadão. A pesquisa da Data Tax, núcleo de inteligência de dados do Tax Group, identificou que 84,7% dos candidatos em São Paulo preferem permanecer em um modelo híbrido de trabalho. Apenas 15,3% aceitariam migrar para o regime 100% presencial em troca do aumento salarial.

Preferência nacional se inverte em São Paulo

O levantamento analisou uma base de 1.565 candidatos ativos em todo o Brasil, sendo 259 do Estado de São Paulo. Os respondentes foram submetidos a um cenário hipotético: escolher entre uma vaga híbrida ou 100% presencial com remuneração 50% superior. No cenário nacional, a maioria ainda opta pelo ganho financeiro: 58% dos profissionais aceitam o presencial por 50% a mais de salário, enquanto 42% preferem manter o híbrido.

De acordo com Luis Wulff, CEO do Tax Group, São Paulo vive uma realidade distinta de outras regiões. “Em São Paulo, esse ponteiro se inverte. Essa diferença se explica pelas exigências diárias, que incluem trânsito intenso, rodízio veicular, grandes distâncias e horas perdidas no transporte”, afirma.

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Perfis dos profissionais: orientado a ganhos versus autonomia

A pesquisa dividiu os profissionais em dois perfis. O perfil Presencial (orientado a ganhos) foca em ascensão rápida e resultados, disposto a abrir mão da flexibilidade por um maior nível de exigência e ganho financeiro. Já o perfil Híbrido (orientado à autonomia) valoriza qualidade de vida e autonomia, recusando prêmios financeiros para evitar os custos invisíveis da presencialidade, como tempo, trânsito e energia mental.

Para Wulff, qualidade de vida e autonomia pesam mais que a remuneração. “Eles colocam em primeiro lugar aspectos como o tempo de deslocamento e a convivência familiar”, ressalta.

Geração Z lidera preferência por flexibilidade

Assim como outras pesquisas apontam, o grupo mais disposto a abrir mão de aumento salarial por flexibilidade está na faixa dos 20 anos. A média de idade dos candidatos mapeados é de 26,7 anos, com quase 6 anos de experiência de mercado e alta qualificação. “Trata-se de um grupo com maior casca operacional, que demonstra preferência pela flexibilidade e entende que o custo invisível do deslocamento diário nem sempre compensa o ganho financeiro”, sugere o CEO.

Profissionais mais experientes tendem a avaliar a vaga de forma mais ampla, considerando aspectos além do salário.

Flexibilidade como diferencial competitivo

Apesar de grandes empresas como Amazon, Google e Meta terem intensificado políticas de retorno ao escritório para melhorar colaboração e inovação, a preferência dos paulistas segue na direção oposta. Dados do CRBE mostravam que, no ano passado, a ocupação presencial na capital paulista chegou a 71% em 89% das empresas, um avanço em relação aos 83% de 2024 e aos 77% de 2023. O estudo indicava consolidação do modelo híbrido, com a maioria dos funcionários indo ao escritório de três a quatro vezes por semana.

No entanto, vagas 100% home office estão cada vez mais escassas, segundo a Robert Half. Já o híbrido ainda é mantido em muitas oportunidades.

Modelo híbrido como fator de atração de talentos

O levantamento da Data Tax endossa o formato híbrido como o modelo mais escolhido entre os paulistas e fator decisivo na atração de talentos. Embora não haja série histórica para comparação, Wulff afirma: “Este é o primeiro levantamento que realizamos com esse recorte específico entre ganho financeiro e modelo de trabalho. Sentimos a necessidade de aprofundar esse tema porque a disputa entre o retorno ao presencial e a busca por flexibilidade se tornou um fator importante na decisão dos profissionais.”

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