A fabricante brasileira de sucos The Natural One deu um passo decisivo para seu crescimento ao contratar os bancos de investimento Nomura e Itaú BBA. Segundo fontes próximas ao processo, as instituições foram incumbidas de explorar opções estratégicas, que incluem tanto a venda de uma participação minoritária quanto a alienação total da empresa.
Motivação estratégica para internacionalização
A entrada de um novo parceiro financeiro ou estratégico permitiria à The Natural One acelerar seus planos de expansão internacional. A empresa, que vende sucos de frutas prontos para consumo, tem forte presença no Brasil e na América do Norte, mas busca ampliar sua atuação global. As fontes, que pediram anonimato por se tratar de assunto confidencial, destacaram que a empresa também pretende fortalecer outras frentes de crescimento, como inovação de produtos e canais de distribuição.
Avaliação e números financeiros
Com base em negociações recentes no setor de sucos, a The Natural One pode atingir uma avaliação entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões. A empresa gera receita anual superior a US$ 200 milhões e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de mais de US$ 50 milhões, segundo as fontes. O processo está em estágio inicial, mas já desperta interesse de fundos de private equity e de empresas do setor de bebidas, tanto nacionais quanto internacionais.
Contexto de mercado e transações recentes
O mercado de sucos tem registrado movimentos esporádicos de consolidação. No ano passado, a guatemalteca Castillo Hermanos adquiriu a Harvest Hill, proprietária das marcas SunnyD e Juicy Juice. Em 2022, a gestora de private equity PAI comprou da PepsiCo as marcas Tropicana, Naked e outras linhas de sucos. Esses negócios servem como referência para a avaliação da The Natural One.
Estrutura acionária atual
Atualmente, a The Natural One tem como acionistas o fundador e presidente Ricardo Ermirio de Moraes e a gestora brasileira Gávea Investimentos, que adquiriu uma participação minoritária em 2017. Moraes pertence à família controladora da Votorantim SA, um dos maiores conglomerados de investimento do Brasil, com atuação em indústria, serviços financeiros e outros setores. Antes de fundar a The Natural One em 2014, ele foi executivo da Citrovita SA, produtora de suco de laranja que também faz parte do portfólio da Votorantim.
Próximos passos e expectativas
Fontes afirmam que o processo está em fase inicial, mas acreditam que a negociação atrairá propostas tanto de fundos de private equity quanto de empresas do setor de bebidas. A expectativa é que o valuation elevado e o bom desempenho financeiro da empresa despertem forte interesse. Procurados, The Natural One, Nomura e Itaú BBA não comentaram o assunto.



