A PicPay projeta que o dólar permaneça acima de R$ 5,35 nos próximos meses, mesmo diante de um fluxo positivo para a renda fixa brasileira e da estratégia de carry trade, que tende a atrair capital estrangeiro. A avaliação da casa é que um governo Trump mais enfraquecido, sem maioria nas duas Casas do Congresso, pode não ter o mesmo ímpeto para seguir implementando medidas que vinham embutindo risco no preço da moeda norte-americana.
Racional por trás da projeção
De acordo com a análise da PicPay, o cenário político nos Estados Unidos é um dos principais vetores para a cotação do dólar. Com um presidente Donald Trump politicamente mais frágil, a capacidade de aprovar medidas econômicas agressivas – como tarifas comerciais e políticas fiscais expansionistas – diminui. Isso reduz o prêmio de risco que estava embutido na moeda americana, mas não o suficiente para derrubar a cotação abaixo do patamar de R$ 5,35.
O fluxo para a renda fixa brasileira, impulsionado pelos juros altos no país, e o carry trade (operação que lucra com o diferencial de juros entre países) são fatores que normalmente pressionam o dólar para baixo. No entanto, a PicPay pondera que esses fatores não são fortes o bastante para superar as incertezas fiscais domésticas e o cenário externo adverso.
Contexto e impacto
A projeção da PicPay surge em um momento de grande volatilidade no câmbio, influenciada tanto por questões internas – como o debate sobre o arcabouço fiscal – quanto externas, como a política monetária do Federal Reserve e as tensões geopolíticas. A casa destaca que, apesar do otimismo pontual do mercado, a tendência é de que o dólar continue sendo negociado em um patamar elevado, exigindo cautela por parte de investidores e empresas.
Para o investidor brasileiro, isso significa que a diversificação e a proteção cambial seguem sendo estratégias relevantes. A PicPay recomenda atenção às próximas decisões do Banco Central e aos desdobramentos políticos nos EUA, que podem alterar rapidamente o cenário.



