Dólar encerra estável com fraqueza global e riscos locais
Dólar encerra estável com fraqueza global e riscos locais

O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (15) praticamente estável ante o real, em um dia marcado pela fraqueza global da moeda americana e pela cautela dos investidores diante de riscos fiscais domésticos. A moeda norte-americana fechou a R$ 5,02, com leve variação de 0,01%.

Desempenho global pesa sobre o dólar

No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas principais, recuava 0,3% no fim da tarde, refletindo a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) possa iniciar um ciclo de cortes de juros ainda neste ano. Dados de inflação nos Estados Unidos vieram abaixo do esperado, reforçando essa percepção.

Com o dólar mais fraco no mercado internacional, moedas emergentes, como o real, tendem a se valorizar. No entanto, o ganho foi limitado por fatores internos.

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Riscos fiscais locais limitam valorização

No cenário doméstico, a atenção dos investidores se voltou para o debate sobre o arcabouço fiscal. O governo enfrenta dificuldades para aprovar medidas de aumento de receita, e há incertezas quanto ao cumprimento da meta de déficit zero em 2024. Segundo o economista-chefe de uma gestora de recursos, "o risco fiscal continua sendo o principal ponto de atenção para o câmbio, e qualquer sinal de fragilidade nas contas públicas pode pressionar o dólar para cima".

Além disso, a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, mostrou que a mediana das expectativas para o IPCA em 2024 subiu de 3,90% para 3,92%, indicando que a inflação ainda preocupa.

Intervenção do Banco Central

O Banco Central realizou dois leilões de swap cambial tradicional ao longo do dia, no valor total de US$ 1 bilhão, para dar liquidez ao mercado e conter a volatilidade. A operação foi bem recebida pelos agentes financeiros, mas não foi suficiente para alterar a trajetória da cotação.

O volume negociado no mercado à vista foi de US$ 1,8 bilhão, abaixo da média diária recente, sinalizando a cautela dos investidores.

Perspectivas para os próximos dias

Analistas apontam que o câmbio deve continuar sensível a notícias sobre a política fiscal brasileira e aos dados econômicos dos Estados Unidos. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a decisão de juros do Fed, na próxima semana, são os eventos de maior destaque no calendário.

Para o curto prazo, a expectativa é de que o dólar se mantenha na faixa entre R$ 4,95 e R$ 5,10, com tendência de leve alta caso os riscos fiscais se intensifiquem.

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