A diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, declarou nesta terça-feira (15) que está preparada para tomar medidas caso não observe sinais claros de desinflação nos próximos meses. A fala foi feita durante evento em Washington, reforçando a postura cautelosa do banco central americano diante da persistência da inflação.
Sinais de desinflação são cruciais
Cook destacou que a trajetória da inflação nos Estados Unidos ainda preocupa. "Se não virmos sinais de desinflação em breve, estou preparada para agir", afirmou. A declaração ocorre em meio a dados que mostram que a inflação ao consumidor (CPI) desacelerou para 3,0% em junho, ante 3,3% em maio, mas ainda acima da meta de 2% do Fed.
A diretora ressaltou que o mercado de trabalho continua apertado, com taxa de desemprego em 4,1% e criação de empregos acima do esperado. "Precisamos ver mais progresso na redução da inflação antes de considerar qualquer afrouxamento", completou.
Possibilidade de novos aumentos de juros
Analistas interpretam a fala de Cook como um sinal de que o Fed pode elevar novamente a taxa básica de juros, atualmente na faixa de 5,25% a 5,50%. A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) está marcada para 30 e 31 de julho.
Segundo o CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros em julho é de 93,3%, mas para setembro, as chances de corte caíram para 5,1%. Cook não especificou prazos, mas enfatizou que "a paciência tem limites".
Impacto nos mercados
As declarações de Cook geraram reações nos mercados financeiros. O dólar subiu 0,3% ante uma cesta de moedas, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos avançaram para 4,22%. O índice S&P 500 recuou 0,2% com a perspectiva de juros altos por mais tempo.
"A mensagem é clara: o Fed não vai cortar juros tão cedo", avaliou o economista-chefe do banco ABC, Carlos Thadeu. "Cook está alinhada com a postura hawkish de outros dirigentes."
Contexto global
A fala de Cook ecoa a preocupação de outros bancos centrais. O Banco Central Europeu (BCE) manteve os juros inalterados na última reunião, enquanto o Banco da Inglaterra (BoE) sinalizou possíveis cortes apenas no final do ano. A inflação global, embora em queda, ainda pressiona as economias.
No Brasil, o Copom também mantém a taxa Selic em 10,50% ao ano, aguardando sinais de convergência da inflação para a meta. A declaração de Cook reforça a expectativa de que o Fed não deve iniciar um ciclo de cortes antes do quarto trimestre, o que pode influenciar as decisões do Banco Central do Brasil.



