Aversão a risco afeta ativos globais com ataque dos EUA ao Irã
Aversão a risco afeta ativos globais com ataque dos EUA ao Irã

Novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã fizeram os preços do petróleo voltarem a subir na manhã desta sexta-feira, intensificando o movimento de aversão a risco que já atingia as ações de inteligência artificial e se espalhou por outros ativos globais.

Petróleo sobe com tensão geopolítica

O barril do petróleo Brent registra alta de mais de 2% nas primeiras horas do pregão, refletindo o temor de interrupções no fornecimento da região do Oriente Médio. A escalada militar entre EUA e Irã reacendeu preocupações sobre a estabilidade dos fluxos de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo global.

Segundo analistas do banco Goldman Sachs, o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do petróleo pode adicionar de US$ 5 a US$ 10 por barril caso o conflito se intensifique. "A situação é volátil e qualquer nova escalada pode pressionar ainda mais os preços", afirmou o estrategista-chefe da instituição.

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Ações de IA lideram quedas

O movimento de aversão a risco começou no setor de tecnologia, com ações de empresas ligadas à inteligência artificial sofrendo fortes perdas. A fabricante de chips TSMC, por exemplo, viu suas ações caírem 4% em Taiwan, arrastando o setor de semicondutores. O índice Nasdaq, referência em tecnologia, opera em baixa de 1,5% no pré-mercado.

"O mercado está reavaliando os valuations elevados das empresas de IA diante de um cenário de juros altos e incerteza geopolítica", explicou o gestor de fundos da BlackRock. O movimento se alastrou para mercados emergentes, com o índice MSCI de países emergentes recuando 1,2%.

Impacto nos mercados globais

A aversão a risco também se reflete na busca por ativos seguros. O ouro opera em alta de 0,8%, cotado a US$ 2.350 a onça, enquanto o dólar se fortalece frente a moedas de países exportadores de commodities. O índice DXY, que mede a moeda americana contra uma cesta de pares, subiu 0,3%.

No Brasil, o Ibovespa futuro opera em queda de 1,2%, pressionado pela desvalorização das commodities e pelo aumento da aversão a risco. A curva de juros futuros também sobe, com investidores precificando maior prêmio de risco. O Banco Central brasileiro monitora a situação, mas ainda não sinalizou intervenção.

Especialistas alertam que, se o conflito se prolongar, os efeitos podem se espalhar para a inflação global, com o aumento dos custos de transporte e energia. "O petróleo mais caro é um choque de oferta que pode frear o crescimento econômico mundial", destacou o economista-chefe do FMI.

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